Viagem ao exterior aumenta risco de perda do mandato de Flávio Bolsonaro por ausências
Constituição prevê perda do mandato por faltar a um terço das sessões; Diários do Senado registram 11 faltas não justificadas em 2026
Por Redação Os Três Poderes ·

A ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para fora do país nesta semana elevou a probabilidade de ele se aproximar do limite de ausências que pode resultar na perda do mandato, conforme registros dos Diários do Senado Federal referentes a 2026.
Os Diários apontam 11 faltas não justificadas neste ano, incluindo a sessão da quarta-feira 28. Até a quinta-feira 29, houve 49 sessões de votação e a previsão era de mais 23 até o recesso. Mantido o total de 72 sessões no ano, o limite que pode levar à perda do mandato por ausências é de 24 faltas. Licenças, justificativas e eventuais cancelamentos ainda podem modificar esse quadro.
O que diz a regra
O artigo 55 da Constituição determina que perde o mandato o deputado ou senador que faltar, em cada sessão legislativa, a um terço das sessões ordinárias, salvo se houver licença ou missão autorizada. O Regimento Interno do Senado reproduz essa previsão. Nesses casos, a Mesa Diretora pode declarar a perda do mandato por iniciativa própria, a pedido de um de seus membros ou de partido com representação no Congresso, assegurando ampla defesa.
Pedidos apresentados
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) anunciou, em postagem no X, que pediria à Mesa do Senado a perda do mandato e a suspensão da remuneração de Flávio por abandono do cargo. No Conselho de Ética, o advogado Olímpio de Moraes Rocha, de Campina Grande (PB), protocolou em 28 de outubro uma denúncia por quebra de decoro, pedindo apuração imediata e, caso a gravidade seja confirmada, a perda do mandato.
Os trâmites são distintos. A perda por faltas pode ser declarada diretamente pela Mesa; já a cassação por quebra de decoro requer provocação da Mesa ou de partido e precisa ser votada no plenário, por maioria absoluta, com ampla defesa garantida.
Viagem e manifestações
Flávio viajou aos Estados Unidos após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do território nacional. Em carta divulgada já no exterior, o senador afirmou que não abandonou seus eleitores e voltou a alegar fraude na eleição, sem apresentar provas.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu Flávio Bolsonaro.
Repercussão no RN
O senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio, disse que não foi avisado da viagem e afirmou:
“Estamos surpresos”.
Na mesma entrevista, disse compreender a decisão do aliado.
Ainda que não ocorra declaração de perda por faltas ou cassação, o mandato atual termina em 31 de janeiro de 2027, com o encerramento da legislatura.
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