Associações entregam manifesto ao Congresso pedindo proteção orçamentária para agências reguladoras
Grupo de 40 entidades defende que verbas das agências sejam poupadas de bloqueios e contingenciamentos nas peças orçamentárias
Por Redação Os Três Poderes ·

Um grupo formado por 40 associações dos setores de infraestrutura, indústria e energia entregou ao Congresso Nacional, em 27 de outubro, um manifesto em que cobra a aprovação de medidas para proteger o orçamento das agências reguladoras contra bloqueios e contingenciamentos do governo federal.
O documento, intitulado "Regulação não é gasto, é investimento", foi apresentado durante o evento Infra & Reg, em Brasília, e solicita que as peças orçamentárias para 2027 contenham mecanismos que assegurem dotações consideradas "robustas e protegidas" para as atividades de regulação e fiscalização.
Quem participou e que medidas são defendidas
Segundo informou a organização do encontro, a entrega do manifesto contou com a presença de diretores de agências reguladoras e de parlamentares que têm defendido a autonomia financeira desses órgãos, entre eles o senador Laércio Oliveira (PP-SE) e os deputados Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), Julio Lopes (PP-RJ) e Átila Lira (PP-PI). Durante o evento, representantes das agências reforçaram a necessidade de independência orçamentária.
As entidades que assinam o manifesto apoiam duas iniciativas em tramitação no Congresso: uma emenda proposta por Arnaldo Jardim na última Lei de Diretrizes Orçamentárias, destinada a proibir bloqueios temporários nas verbas das 12 agências reguladoras, e o Projeto de Lei Complementar 73 de 2025, aprovado pelo Senado, que inclui as agências entre as despesas livres de contingenciamento previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O PLP já teve pedido de urgência aprovado na Câmara e aguarda votação pelos deputados.
Contexto e motivos do pedido
Parlamentares e representantes do setor têm ampliado a mobilização após o governo anunciar contingenciamentos que resultaram em mais de R$ 300 milhões bloqueados dos orçamentos das agências reguladoras durante um ajuste fiscal de R$ 23,7 bilhões. As reduções de recursos, segundo relatos das próprias agências, chegaram a comprometer planejamento, serviços de fiscalização e processos de modernização.
Os signatários do manifesto argumentam que a regulação e a fiscalização são investimentos para a economia e para a prestação de serviços essenciais, e pedem apoio dos parlamentares para construir o Orçamento de 2027 com instrumentos que preservem esses recursos.
O que falta para avançar
Na Câmara, o PLP que limita o contingenciamento precisa ser apreciado pelos deputados; a emenda da LDO que teria vetado a prática também está na agenda de debates entre parlamentares e proponentes. A Presidência da Câmara já manifestou comprometimento com a votação, conforme manifestação de lideranças citadas durante o evento.
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