Jornalismo · InstituiçõesOS TRÊS PODERES
Notícias de hoje

Relatório do TSE não vê informações falsas no 'Exército do Lula', mas alerta risco eleitoral

Documento cita alcance elevado, encaminhamento coordenado e linguagem polarizadora; corregedor reverteu suspensão do canal

Ilustração: Uma lupa metálica e luminosa domina a cena, projetando sombra sobre um campo de bolhas de mensagens estilizadas que se desintegram em pequenos pixels; ao fundo, a fachada curva de um prédio de tribunal surge em meia-luz, com feixes de sol rasgando a sombra e setas finas que atravessam a
Imagem ilustrativa Gerada por IA

Um parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), produzido por solicitação do presidente da Corte, ministro Nunes Marques, não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, publicações com informações falsas no canal de WhatsApp “Exército do Lula”. O documento, porém, aponta riscos eleitorais associados ao amplo alcance das mensagens, a iniciativas coordenadas para ampliar sua distribuição e ao uso de linguagem polarizadora.

“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos, ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”,
diz o relatório técnico.

Riscos apontados e histórico apagado

Conforme a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, a combinação de grande alcance, alto número de encaminhamentos e instruções para engajar seguidores pode favorecer, às vésperas da eleição, a difusão em massa de conteúdos falsos.

“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”,
afirma o documento.

De acordo com o relatório, a partir de 7 de outubro foram removidas algumas das mensagens que haviam sido publicadas em setembro, o que atrapalha recompor o histórico do canal e dificulta uma avaliação integral do que foi veiculado no período.

Disputa no TSE e situação do canal

O exame foi solicitado no contexto de decisões divergentes sobre a manutenção do canal. No domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, sustou a determinação anterior de Nunes Marques que mandava interromper o canal e restabeleceu seu funcionamento. A medida é provisória e ainda será levada ao plenário do tribunal. O corregedor barrou a divulgação de conteúdos já tidos como falsos pelo TSE e determinou nova suspensão em caso de descumprimento.

A controvérsia teve início após pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que alegou que o canal replicava notícias falsas contra o candidato. O “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), reúne mais de 3 milhões de inscritos e difunde orientações, áudios e vídeos voltados a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula e Flávio disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Reações dos candidatos

Lula classificou a suspensão do canal como “absurda” e afirmou que sua campanha pediria esclarecimentos sobre os critérios usados. Flávio Bolsonaro disse ser alvo de mentiras e mencionou a existência de um “canal de divulgação de mentiras em massa”, sem citar o nome.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Aparece publicamente com o comentário.
Nunca é exibido.
0 de 1.500 caracteres

Leia também