TSE manda suspender canal do WhatsApp de apoio a Lula

Decisão de Kassio Nunes Marques atende pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e cita conteúdos inverídicos

Brasília (DF), 12/05/2026 - O ministro, Kassio Nunes Marques, durante cerimônia de posse como novo presidente do TSE
Brasília (DF), 12/05/2026 - O ministro, Kassio Nunes Marques, durante cerimônia de posse como novo presidente do TSE Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que reúne cerca de 3,3 milhões de pessoas. A ordem atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e considerou a proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026.

O que motivou a decisão

Na decisão, o presidente do TSE apontou que o canal replicava conteúdos já reconhecidos como inverídicos pela Corte, como as afirmações de que Flávio seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil e de que reduziria aposentadorias se eleito, o que, segundo ele, afeta o equilíbrio do pleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, afirmou Kassio Nunes Marques.
“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, completou.

Pedidos e tramitação

O pedido de suspensão foi apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, que também ajuizou ação para cassar o mandato do deputado André Janones (Rede-MG) e atribui a ele a criação do canal. O caso já tramitava no TSE; no sábado (10), o relator, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, solicitou que o presidenciável apresentasse informações complementares.

O que diz André Janones

Em publicações nas redes sociais, Janones negou o uso do canal para disseminar notícias falsas e disse que o objetivo era mobilizar e orientar eleitores no segundo turno, afirmando que não publicou notícias no canal.

“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”.
“Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”.

Contexto

O TSE é responsável por organizar e fiscalizar as eleições; decisões da Presidência da Corte têm efeito nacional. Em período eleitoral, medidas para coibir desinformação buscam preservar a paridade de armas entre candidaturas. No Rio Grande do Norte e em Natal, onde eleitores também acompanham conteúdos em redes e aplicativos, decisões desse tipo impactam o fluxo de informações durante a campanha.

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