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Relatório da PF indica que diretoria do BRB foi alertada sobre falhas em 90% de carteira do Master

Documento parcial aponta que aviso interno sobre problemas ocorreu em agosto de 2024, mas compras seguiram; presidência do banco teria pressionado por novas aquisições

Por Redação Os Três Poderes ·

Foto: Banco de Brasília (BRB)
Banco de Brasília (BRB)

Um relatório parcial da investigação da Polícia Federal, encaminhado no curso da apuração sobre operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o extinto Banco Master, registra que a diretoria do BRB recebeu em agosto de 2024 um alerta interno de que aproximadamente 90% da carteira adquirida do Master apresentava falhas ou não atendia aos critérios do banco.

Segundo o documento da Polícia Federal, o alerta detalhava inconsistências nos dados, falhas de governança, deficiências de compliance e possíveis irregularidades na originação dos créditos. Apesar das sinalizações, as negociações entre as instituições continuaram.

"Mesmo diante da reiterada rejeição dos ativos apresentados, a orientação não foi interromper as aquisições, mas exigir que o MASTER encontrasse novos créditos que permitissem a continuidade das operações", destaca o relatório.

O que o relatório descreve

A Polícia Federal descreve no relatório que, em diferentes análises internas do BRB, grande parte dos ativos oferecidos pelo Banco Master foi eliminada por não cumprir os critérios do banco. Em alguns casos apenas uma pequena fração das carteiras passava pelos filtros do BRB, e depois teriam sido alterados critérios de avaliação que ampliaram o volume de créditos passíveis de aceitação.

O documento também afirma que a presidência do banco pressionou pela aprovação de novas compras, e que as operações posteriores mantiveram-se mesmo após as identificações de problemas nas carteiras.

Contexto da investigação

A apuração da Polícia Federal integra a Operação Compliance Zero, que já levou ao indiciamento de ex-executivos do Master e do BRB e prendeu, em fases diferentes, investigados ligados a ambos os bancos. O BRB, cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal, sofreu perdas bilionárias relacionadas às operações com o Master, conforme aponta a PF.

Em relatório anterior, a Polícia Federal enviou suas conclusões à Procuradoria-Geral da República e indicou 15 pessoas como indiciadas no caso, entre ex-sócios e ex-gestores do Master, sócios de consultoria apontada como fachada e ex-gestores do BRB.

Procuradas sobre os detalhes do relatório e as medidas adotadas após o alerta de agosto de 2024, as defesas dos citados e a direção do BRB constam sendo contatadas pelos investigadores, segundo o relatório.

O que muda

O relatório parcial reforça a existência de sinais internos de risco previamente ao aprofundamento das operações com o Master, o que pode ter implicações na análise de responsabilidade administrativa e criminal dos envolvidos. A investigação seguirá com a análise das responsabilidades e possíveis desdobramentos judiciais e regulatórios.

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