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PF indiciou fundador do Master, ex-presidente do BRB e mais 13 por esquema financeiro

Relatório parcial da Polícia Federal aponta indícios de gestão fraudulenta, ocultação de recursos e produção de documentos posteriores às datas formais

Por Redação Os Três Poderes ·

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira 15 pessoas ligadas à tentativa de venda do Banco Master ao BRB, entre elas o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, segundo relatório parcial do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O que diz a investigação

De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos pela apuração indicam a existência de um esquema envolvendo operações com carteiras de crédito de origem questionada, produção posterior de documentos e suposta ocultação da titularidade e da movimentação de recursos. O relatório identifica participação de integrantes das estruturas executivas, financeiras, jurídicas e operacionais do Master, do BRB e de empresas relacionadas aos negócios.

Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PF ressaltou que o indiciamento é um ato da Polícia Federal que atribui a alguém a condição de provável autor de infração penal com base nos elementos reunidos, mas não equivale ao oferecimento de denúncia pelo Ministério Público nem a uma decisão judicial definitiva.

Operações com carteiras e documentação

O relatório parcial aponta como foco principal operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e a empresa Tirreno, posteriormente relacionadas a negócios com o BRB. Segundo a PF, cerca de R$ 7 bilhões vinculados a operações atribuídas à Tirreno teriam permanecido contabilizados em contas internas do próprio Master, sem transferência financeira efetiva compatível com a titularidade formal dos recursos.

A investigação também descreve indícios de que documentos foram produzidos ou complementados depois das datas que apresentavam formalmente, como cédulas de crédito bancário assinadas posteriormente, procurações geradas em lote e contratos formalizados meses depois das datas declaradas. A PF afirma ainda que o BRB continuou adquirindo carteiras mesmo após alertas internos sobre problemas de documentação, inadimplência e falhas de conciliação, com mais de R$ 5 bilhões em novas aquisições aprovadas depois da identificação desses problemas.

Envolvimento de advogados e núcleos funcionais

O relatório divide os investigados em núcleos funcionais e atribui ao escritório Monteiro Rusu, comandado pelo advogado Daniel Lopes Monteiro, participação na estruturação societária da Tirreno e na elaboração e revisão de contratos e notificações ligadas às operações. A PF sustenta que a Tirreno teria sido usada como intermediária formal em negócios cuja documentação e estrutura operacional ainda apresentavam inconsistências.

Além de Vorcaro e Paulo Henrique Costa, foram formalizados indiciamentos de executivos e funcionários ligados ao Banco Master e ao BRB, além de pessoas relacionadas à estruturação jurídica e operacional das empresas envolvidas. A Polícia Federal informou que há diligências pendentes, como a individualização de condutas de integrantes das equipes operacionais, conclusão de análises bancárias, fiscais e patrimoniais, exame de materiais apreendidos e aprofundamento de outras hipóteses criminais identificadas.

Trâmite e fases anteriores da operação

O caso integra a operação batizada de Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. Desde então, a PF deflagrou diversas fases da investigação que incluíram prisões, buscas e apreensões, bloqueios de bens e o bloqueio de valores superiores a bilhões de reais apontados pela própria corporação. O inquérito passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal a partir de dezembro de 2025 e teve relatoria do ministro André Mendonça a partir de fevereiro de 2026.

"extrapola a amizade"

O relatório também relata investigações sobre pagamentos de propina e medidas contra auxiliares e parentes ligados aos investigados; em alguns casos, alvos negaram as acusações. Parte das medidas já resultou em prisões temporárias, uso de tornozeleiras eletrônicas e apreensões de bens. O documento parcial foi encaminhado às autoridades competentes para subsidiar a continuidade da apuração e eventuais providências do Ministério Público e do Judiciário.

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