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Ibovespa recua 18,12% na semana seguinte à reeleição; dólar avança 9,03%

Segundo a consultoria Elos Ayta, trata-se da 5ª pior semana desde o Plano Real; governo fala em ajuste de posições e investidores acompanham risco fiscal

Por Redação Os Três Poderes ·

Ibovespa recua 18,12% na semana seguinte à reeleição; dólar avança 9,03%

O Ibovespa caiu 18,12% na primeira semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrada na sexta-feira (30.out.2026), de acordo com a consultoria Elos Ayta. No mesmo período, o dólar comercial acumulou alta de 9,03%.

Na sexta-feira (30.out), o índice fechou aos 167.921,80 pontos, recuo de 0,75% no dia. O dólar encerrou a R$ 5,444, alta diária de 1,05%. Frente à sexta anterior (23.out), último pregão antes do 2º turno, a Bolsa encolheu 37.160,76 pontos; o câmbio saiu de R$ 4,9931 para R$ 5,444.

O movimento mais forte ocorreu na segunda-feira (26.out), primeiro pregão após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL): o Ibovespa cedeu 13,88% e o dólar subiu 8,21%. Para a Elos Ayta, a sequência refletiu recalibração das expectativas sobre a política econômica e percepção maior de risco fiscal.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o ajuste refletiu correção de posições do mercado, lembrando que parte dos agentes havia precificado um desfecho eleitoral diferente.

Riscos para atividade e inflação

Segundo a consultoria e gestores, caso juros e câmbio permaneçam nas faixas recentes, o aperto das condições financeiras pode atingir a economia real. Antes da votação, o Boletim Focus projetava expansão de 1,31% do PIB em 2027, conforme citou Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

Para André Matos, CEO da MA7 Capital, juros futuros longos acima de 15% e dólar ao redor de R$ 5,35 elevam o custo do crédito, de máquinas e de insumos importados, o que tende a adiar investimentos. Nesse cenário, ele estima crescimento do investimento produtivo entre 0% e 1% em 2027, com possibilidade de queda se a incerteza persistir. Matos avalia ainda que a desvalorização do real poderia acrescentar de 0,4 a 0,8 ponto percentual ao IPCA de 2027.

De acordo com André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, a piora das condições financeiras poderia subtrair de 0,3 a 0,6 ponto percentual do avanço do PIB, enquanto a inflação acumulada até 2028 teria alta adicional entre 0,3 e 0,7 ponto percentual. As estimativas são condicionais e não configuram projeções oficiais.

Ajuste fiscal no radar

A confiança dos investidores dependerá, entre outros pontos, das medidas econômicas no novo mandato. O foco principal é a capacidade de estabilizar a dívida pública e definir uma trajetória sustentável para as contas. Entre sugestões mencionadas por representantes do mercado estão revisão de despesas obrigatórias, corte de renúncias tributárias e preservação de investimentos com maior retorno econômico.

Matos vê como desejável um avanço anual de 0,5 ponto percentual do PIB no resultado primário. Caruso propõe promover um ajuste entre 1 e 1,5 ponto percentual do PIB ao longo de 2 a 3 anos. A adoção de um programa fiscal crível tenderia a reduzir prêmios de risco, fortalecer o real e abrir espaço para queda dos juros.

O que pode mudar para o RN

No Rio Grande do Norte e em Natal, um cenário de juros elevados e câmbio depreciado encarece o crédito a empresas e famílias, piora a viabilidade de projetos dependentes de financiamento e pressiona preços de bens importados. Sinais fiscais que reduzam o risco e ancorem expectativas contribuem para normalizar as condições financeiras e o custo do capital também no estado.

As projeções citadas dependem da manutenção das condições financeiras e podem ser revistas com novas informações; não se tratam de estimativas oficiais do governo ou do Banco Central.

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