FGTS congela em R$ 144,5 bi orçamento de habitação para 2027
Conselho define R$ 169 bi no total e prorroga regra do saque-aniversário até 31 de março
Por Redação Os Três Poderes ·

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta quinta-feira o orçamento de habitação para 2027, fixado em R$ 144,5 bilhões — o mesmo valor de 2026 —, com prioridade para famílias de baixa renda. Na mesma reunião, o colegiado também prorrogou até 31 de março a regra de transição do saque-aniversário.
Como ficam os recursos
Segundo o Conselho Curador e o Ministério do Trabalho, a programação para habitação contempla:
- R$ 125,5 bilhões para financiamento de famílias de baixa renda;
- R$ 15 bilhões para a classe média no âmbito do Minha Casa, Minha Vida;
- R$ 13 bilhões em subsídios para famílias de baixa renda;
- R$ 4 bilhões para a linha pró-cotista, com juros reduzidos a trabalhadores com conta no FGTS.
Os valores destinados a subsídios e à pró-cotista integram as políticas habitacionais e podem se sobrepor às demais rubricas, não devendo ser somados automaticamente.
Orçamento total e projeções
Para 2027, o orçamento total do FGTS voltado a políticas públicas será de R$ 169 bilhões, distribuídos, de acordo com o Ministério do Trabalho, em R$ 144,5 bilhões para habitação, R$ 8 bilhões para saneamento básico, R$ 8 bilhões para infraestrutura urbana e R$ 8,5 bilhões para saúde.
O colegiado também aprovou os orçamentos plurianuais de 2028 a 2030. Para esse período, a previsão é manter R$ 125,5 bilhões por ano para famílias de baixa renda. Os recursos para a classe média no Minha Casa, Minha Vida devem cair para R$ 10 bilhões anuais a partir de 2028. O total anual do FGTS para políticas públicas deve recuar para R$ 163,7 bilhões até 2030.
Segundo o Ministério do Trabalho, a expectativa de redução decorre de autorizações de saques especiais — incluindo valores residuais de contas de trabalhadores demitidos que aderiram ao saque-aniversário — e de empréstimos destinados à área da saúde. O ministério informa ainda que os recursos do FGTS voltados a programas governamentais são separados das contas individuais dos trabalhadores e têm origem no lucro anual do Fundo.
Saque-aniversário: transição prorrogada
O conselho prorrogou até 31 de março a regra de transição que permite vincular até cinco saques-aniversário futuros como garantia em operações de crédito. A mudança se relaciona à resolução publicada em outubro de 2025, que reduzirá para três os saques futuros que podem ser atrelados a empréstimos a partir de 1º de novembro de 2026 e estabelece limites entre R$ 100 e R$ 500 por saque anual.
De acordo com o Ministério do Trabalho, a alteração pode afetar 12,2 milhões de trabalhadores, dos quais 92% recebem até quatro salários mínimos. Desde a criação do saque-aniversário, a modalidade movimentou R$ 242,5 bilhões: R$ 94,2 bilhões foram pagos diretamente aos trabalhadores e R$ 148,3 bilhões foram destinados às instituições financeiras para quitar empréstimos garantidos pelos recursos do FGTS.
O que muda para o RN
No Rio Grande do Norte, a manutenção do volume para habitação pode sustentar o acesso a financiamentos e subsídios do Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda e parte da classe média. Os repasses previstos para saneamento, infraestrutura urbana e saúde também podem apoiar projetos no estado. A aplicação concreta dependerá das decisões e programas dos entes responsáveis pela execução dos recursos.
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