Fazenda mantém previsão de superávit no Orçamento de 2027
Dario Durigan diz que medidas cabem no arcabouço fiscal e não exigem mudança de regras
Por Redação Os Três Poderes ·

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (22) que a previsão de superávit primário no Orçamento de 2027 está mantida, mesmo após o anúncio de medidas com impacto fiscal. Segundo ele, as iniciativas foram planejadas dentro do arcabouço fiscal, sem mudanças nas regras.
“Na parte fiscal, nós estamos entregando superávit para o ano que vem no Orçamento, considerando todas essas medidas que o presidente anunciou. Deixando para o próximo governo, seja qual for ele, uma previsão de superávit com tudo colocado.”
Medidas e justificativas
Durigan disse que o governo identificou espaço no Orçamento e definiu prioridades para viabilizar ações como reajuste do Bolsa Família em cerca de 15%, iniciativas para reduzir o custo dos combustíveis, a terceira etapa do Desenrola e medidas relacionadas às apostas esportivas. O ministro defendeu que as decisões seguiram critérios técnicos e fiscais.
Ele relacionou os subsídios e desonerações de combustíveis aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a arrecadação federal. De acordo com Durigan, a expectativa de receitas adicionais com royalties e tributos permitiu direcionar recursos para reduzir o custo do diesel e da gasolina. O reajuste do Bolsa Família, acrescentou, só foi anunciado após a identificação de espaço fiscal.
Ajustes no PLOA de 2027
Para acomodar parte dos custos, o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que pretende enviar ao Congresso Nacional uma proposta de alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com remanejamento de aproximadamente R$ 20 bilhões, sem elevar o limite total de despesas. O restante do impacto seria absorvido pela revisão da estimativa de gastos obrigatórios, sem ampliar o limite de despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Desenrola e dívidas
Durigan diferenciou a renegociação de débitos de um eventual congelamento de dívidas. Nas duas versões anteriores do Desenrola, os credores leiloaram os débitos com deságio médio de 95%. Na terceira etapa, o governo comprará parte das dívidas com desconto de pelo menos 90%, podendo ser maior conforme os leilões. Segundo o ministro, um congelamento amplo de dívidas representaria um calote que poderia chegar a R$ 3 trilhões e afetar o fluxo financeiro das instituições credoras.
Contexto
Superávit primário é o resultado das contas do governo antes do pagamento de juros da dívida. O arcabouço fiscal define limites para o crescimento das despesas e metas de resultado, orientando a elaboração do Orçamento. Alterações no PLOA precisam de aval do Congresso.
O que pode impactar o RN
Como o Orçamento da União organiza despesas e repasses, ajustes por remanejamento e revisão de gastos podem influenciar a execução de programas federais e investimentos em estados e municípios, inclusive no Rio Grande do Norte, dependendo da tramitação e da alocação final aprovada pelo Congresso.
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