Copom mantém Selic em 13,75% diante de incertezas econômicas
Banco Central citou inflação acima do teto da meta, instabilidade cambial, El Niño e desaceleração da atividade
Por Redação Os Três Poderes ·
Atualizado

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano em decisão anunciada em 4 de novembro de 2026. O próximo dado relevante será o IPCA cheio de setembro, previsto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 12 de novembro; o Banco Central também programou para o fim do mês uma nova edição do Relatório de Política Monetária.
A decisão foi unânime. No comunicado, o Copom afirmou que as incertezas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. O colegiado não indicou qual poderá ser o comportamento dos juros nas próximas reuniões.
Entre os fatores citados estão a instabilidade cambial, o início do fenômeno climático El Niño, o agravamento da guerra no Oriente Médio e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica. O mercado financeiro esperava, em parte, uma redução de 0,25 ponto percentual, embora algumas instituições previssem a manutenção da taxa.
De junho de 2025 a março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. Desde abril, o Copom havia reduzido a taxa cinco vezes, em um período de queda da inflação.
O colegiado está com duas vagas de diretoria abertas. Os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e de Diego Guillen, diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para substituí-los.
O IPCA-15 de outubro, prévia da inflação oficial, subiu 0,32%, favorecido pela redução das contas de luz. Em 12 meses, o índice passou de 4,5% para 4,62%, acima do limite superior da meta, fixado em 4,5%. A meta central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Desde janeiro de 2025, a meta é apurada de forma contínua. Em novembro de 2026, será considerada a inflação acumulada desde dezembro de 2025. Em dezembro de 2026, a comparação passará a levar em conta o período iniciado em janeiro de 2026.
No relatório divulgado no fim de setembro, o Banco Central projetou IPCA de 5,2% para 2026, mas informou que a estimativa será revista no próximo documento. O boletim Focus aponta previsão de 5,22% para a inflação do ano. O mesmo boletim estima crescimento de 1,76% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto o Banco Central prevê expansão de 1,8%.
A Selic é a principal referência para as demais taxas de juros. Reduções tendem a baratear o crédito e estimular produção e consumo, mas podem dificultar o controle dos preços; elevações têm efeito contrário.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Economia Faturamento cresce no RN, mas negócios enfrentam pagamentos atrasados
Pesquisa divulgada aponta que parte dos estabelecimentos encerrou setembro sem lucro e projeta maior movimento nas festas de fim de ano
Economia Focus prevê inflação maior e dólar a R$ 5,34 no fim de 2026
Projeções para a Selic subiram, enquanto estimativa de crescimento do PIB caiu pela terceira semana consecutiva
Alíquota de 11,3% para a CBS enfrenta resistência no Senado
Parlamentares questionam o cálculo do TCU, enquanto a Fazenda afirma que a média efetiva sobre o consumo ficará abaixo de 8,5%