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Saúde da Câmara aprova projeto que reconhece benzimento como prática cultural

Relatora retirou vínculo ao SUS, permitiu registro voluntário e vedou criminalização; proposta segue para a CCJ

Por Redação Os Três Poderes ·

Saúde da Câmara aprova projeto que reconhece benzimento como prática cultural
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo ao PL 426/25 que reconhece o benzimento e o trabalho de benzedeiras e benzedeiros como manifestação da cultura nacional, associada a práticas de cuidado.

Principais pontos do texto

De acordo com o texto aprovado, o ato de benzer e seus saberes tradicionais — com orações, uso de ervas, imposição de mãos e ritos ancestrais — têm relevante interesse cultural, social e imaterial e são ligados ao alívio de males físicos, emocionais e espirituais.

  • Órgãos de cultura e de saúde poderão promover cursos, seminários e eventos para valorizar, preservar e transmitir esses conhecimentos, diretamente ou em parceria com instituições de ensino superior e entidades tradicionais, observando a disponibilidade orçamentária e a execução em programas já existentes.
  • Fica vedada a criminalização, a discriminação ou a restrição ao exercício do benzimento em todo o País, salvo em casos de atos que atentem contra a saúde pública ou violem direitos individuais.
  • Benzedeiras e benzedeiros poderão solicitar registro junto a órgãos municipais, estaduais ou distritais de saúde para formalizar o exercício regular da atividade.

Mudanças no substitutivo

O substitutivo foi recomendado pela relatora, deputada Juliana Cardoso (PT-SP), ao projeto do deputado Giovani Cherini (PL-RS). A relatora suprimiu a possibilidade de atuação direta e vinculada de benzedeiras e benzedeiros nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), alegando que a vinculação genérica poderia sobrepor serviços e fragmentar ações de saúde. Com isso, a prática permanece reconhecida e valorizada no campo da educação popular em saúde, sem vínculo formal dentro das unidades.

Ela também ajustou as regras para cursos e eventos de preservação do benzimento, condicionando as iniciativas à disponibilidade orçamentária e à execução no âmbito de programas em funcionamento.

"A medida possui especial relevância para territórios rurais e regiões de difícil acesso, onde as benzedeiras frequentemente constituem o primeiro ponto de assistência à saúde e acolhimento das comunidades", destacou a relatora em seu parecer.

Tramitação

Segundo a Câmara dos Deputados, o projeto tramita em caráter conclusivo e seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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