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Relato descreve almoço e presente a Flávio Bolsonaro após voo com empresários a Brasília

Documentos e testemunhas indicam passeio de lancha em julho de 2020 com empresário que buscava negociação de vacina e entrega de relógio ao senador

Por Redação Os Três Poderes ·

Relato descreve almoço e presente a Flávio Bolsonaro após voo com empresários a Brasília

De acordo com registros de voo, quebras de sigilo e depoimentos recolhidos na apuração, dois empresários que buscavam portas junto ao governo federal embarcaram em São Paulo na noite de 16 de julho de 2020 e desembarcaram em Brasília nas horas seguintes, onde participaram de um encontro em um barco no Lago Paranoá no dia seguinte.

Segundo os documentos analisados pela reportagem e relatos de pessoas que estiveram envolvidas nas conversas, a aeronave em questão era um jatinho executivo que transportou, além dos dois empresários, um agente de viagens e três mulheres. O grupo seguiu da pista ao setor hoteleiro Sul da capital, de onde partiria para o passeio na lancha.

Como foi o encontro

Relatos de testemunhas descrevem que a embarcação ficou atracada e abastecida com bebidas e alimentos; o passeio durou várias horas e incluiu paradas em estabelecimentos flutuantes do lago. Testemunhas afirmaram que, durante a tarde, o senador Flávio Bolsonaro participou da atividade acompanhado de um amigo que também estava no barco.

Ao final do encontro, conforme a reconstrução feita pela apuração, um dos empresários presente teria retirado um relógio de pulso e entregue o objeto ao senador, que deixou o local usando o presente. Em seguida, um dos acompanhantes pediu carona de volta a São Paulo na mesma aeronave que havia trazido o grupo.

Contexto e apurações

Os documentos consultados incluem quebras de sigilo relacionadas a participantes do voo e depoimentos de pilotos e assessores. Fontes ouvidas também situaram a movimentação no contexto das negociações por vacinas que ocorriam naquele momento — segundo esses relatos, os empresários diziam representar um laboratório interessado em acordos com o governo.

Uma pessoa que afirmou ter participado de festas semelhantes em Brasília, em declarações à apuração, afirmou que esse tipo de evento segue regras próprias para evitar registros, com restrição de uso de celulares e revista às profissionais presentes. "Esses eventos acontecem em dias de semana, que são menos concorridos. Em geral, os barcos ficam parados ao final da barragem, quando não há outros barcos nem sequer fiscalização", disse um ex-assessor parlamentar.

Outra participante, que pediu anonimato por temer por sua segurança, relatou que a proporção costuma ser "uma média de duas a três mulheres por convidado" e descreveu a estrutura das lanchas utilizadas nesses encontros.

Impacto e pontos a observar

Os registros desta sequência de voos, dos encontros e da entrega do presente integram elementos que vêm sendo examinados por investigações e por pedidos de informação. O episódio ocorre em meio ao debate público sobre negociações de vacinas e as relações entre fornecedores e autoridades durante a pandemia, tema que tem repercussão em Brasília e entre atores políticos nacionais.

Fontes consultadas para esta reportagem incluem quebras de sigilo encaminhadas a comissões parlamentares e depoimentos de pessoas que participaram ou acompanharam os deslocamentos e os encontros na capital federal.

Leia a matéria completa da REVISTA PIAUÍ

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