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PF aponta indícios de esquema financeiro ligado a advogado que teria relação com Flávio Bolsonaro

Relatório policial cita movimentações atípicas, acesso a contas empresariais e uso de aplicativo de mensagens entre o senador e o advogado investigado

Por Redação Os Três Poderes ·

PF aponta indícios de esquema financeiro ligado a advogado que teria relação com Flávio Bolsonaro

Um relatório de investigação da Polícia Federal, com cerca de 84 páginas, levantou indícios de uma estrutura de fraudes e lavagem de dinheiro atribuída ao advogado Willer Tomaz e apontou vínculos que incluem o senador Flávio Bolsonaro. Em carta enviada ao país, Flávio afirmou que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após o presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ter tentado “sequestrar” seus passaportes.

O que diz a apuração da Polícia Federal

Segundo a Polícia Federal, a investigação concentra-se em dois eixos: a circulação de valores entre pessoas físicas, empresas, instituições de pagamento e plataformas de apostas; e a atuação de Willer em processos com grande interesse econômico, incluindo interlocução com integrantes do sistema de Justiça e do Ministério Público. A PF afirma ter identificado movimentações atípicas de cerca de R$ 130 milhões relacionadas a contas ligadas ao advogado.

O relatório da PF, conforme o documento, foi elaborado com base em dados obtidos na nuvem do celular de Willer, em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e em documentos públicos de tribunais. A PF ressalta operações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de alguns envolvidos e cita transferências e pagamentos que chamaram a atenção dos investigadores.

Vínculos entre Willer e Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal aponta que Flávio Bolsonaro apareceria entre os vínculos de Willer que merecem “especial atenção”. Entre os elementos citados pelo órgão estão fotografias que mostram situações de convívio entre os dois e indícios de que o senador teria sido usuário “master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding, controlada por Willer. A PF afirma que o acesso de Flávio a essa conta cessou em 2025, o que, segundo os investigadores, reforçaria a hipótese de participação econômica ou de fato na empresa.

O relatório também chama atenção para o fato de que a Alcazar Holding é proprietária de outras empresas ligadas a Willer, algumas das quais já apareceram em apurações envolvendo o Banco Master. A PF aponta ainda o uso, por Willer, do aplicativo Confide — uma plataforma de comunicação privada e efêmera — em mensagens trocadas com Flávio Bolsonaro.

Alvos e conexões

A investigação da Polícia Federal alcança, além de Willer e Flávio, aliados próximos ao senador. O documento sugere pagamentos e relações financeiras com figuras políticas que ocupavam cargos públicos e examina favorecimentos em licitações e contratos em que empresas associadas a Willer teriam sido beneficiadas.

Em paralelo, há outro inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o financiamento do filme Dark Horse, e que também envolve personagens e recursos citados na apuração, segundo os autos em andamento no tribunal.

Posicionamentos dos investigados

Em carta pública, Flávio Bolsonaro afirmou que deixou o Brasil depois de o ministro Alexandre de Moraes tentar “sequestrar” seus passaportes. O senador também levantou a tese de perseguição política em razão das investigações no Supremo.

“Flávio nunca teve sociedade comigo. Nossa relação é de amizade e amizade não é crime”,

afirmou o advogado Willer Tomaz em mensagens publicadas em suas redes sociais, contestando o teor do relatório da Polícia Federal e classificando a apuração como uma “pesca predatória”.

Até o momento, a investigação descrita no relatório segue tramitando no Supremo Tribunal Federal, com inquéritos distribuídos a diferentes relatores. As apurações envolvem análise de movimentações financeiras, cruzamento de dados de inteligência e checagem de conexões entre pessoas físicas e jurídicas apontadas pelos investigadores.

O que muda para o país e para o Rio Grande do Norte

Os desdobramentos das investigações no Supremo podem ter impacto político nacional, incluindo repercussões sobre a articulação de parlamentares e sobre a agenda de alianças partidárias. No âmbito local, eventuais conexões com gestores ou contratos públicos em estados como o Rio de Janeiro — citados nos autos — podem motivar novas auditorias e solicitações de esclarecimentos a órgãos contratantes e tribunais de contas.

Como procedimento padrão, os inquéritos no Supremo continuarão a tramitar, e cabe aos relatores e à Procuradoria-Geral da República analisar as provas reunidas pela Polícia Federal e pela inteligência financeira para eventual oferecimento de denúncia ou arquivamento.

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