MPT registra 530 denúncias em dois dias e passa a acionar políticos que orientaram demissões
Órgão diz que manifestações de parlamentares e influenciadores incentivaram retaliações; liminar já proibiu publicações de deputada no RJ
Por Redação Os Três Poderes ·

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou ter recebido 530 denúncias de assédio eleitoral no prazo de dois dias após a definição das eleições presidenciais, e passou a acionar — judicial e administrativamente — políticos cujas publicações teriam incentivado demissões e retaliações contra trabalhadores por suas convicções políticas.
O que o MPT relata
Segundo o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, demitir empregados por motivo de voto é ilegal e o MPT atuará com celeridade na Justiça do Trabalho para aplicar as penalidades cabíveis. Oliveira orientou que trabalhadores reunam provas, como prints e gravações de tela, e registrem denúncias pelo site do órgão para agilizar as investigações.
O procurador-geral também cobrou as plataformas digitais, afirmando que elas têm responsabilidade e devem remover conteúdos ilícitos que estimulem discriminação ou assédio.
Ações já movidas e investigações
Em um dos casos, o MPT obteve liminar da 3ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro que determinou a retirada de publicações de uma deputada estadual que sugeriu a empresários monitorar redes sociais de funcionários e demitir os que tivessem apoiado o presidente eleito. O juiz Leonardo Saggese Fonseca fixou prazo de 48 horas para remoção dos conteúdos e estabeleceu multa diária em caso de descumprimento, além de vedar a parlamentar de incentivar discriminação por convicção política.
O MPT também anunciou investigações em outros estados contra parlamentares e autoridades cujas mensagens nas redes sociais teriam estimulado boicotes, monitoramento de perfis e demissões por orientação política. Em uma ação, o órgão pediu indenização por dano moral coletivo em razão do alcance das publicações e do risco de estimular práticas discriminatórias por empresários.
Contexto e implicações
Historicamente, o assédio eleitoral no trabalho costuma ocorrer antes das votações, quando empregadores pressionam funcionários sobre o voto. O MPT aponta uma mudança no padrão: agora há relatos de perseguição e demissão de trabalhadores após o resultado eleitoral, com postagens de parlamentares, influenciadores e empresários que, segundo as denúncias, incentivaram retaliações.
Para trabalhadores e empregadores no Rio Grande do Norte e em Natal, a atuação do MPT reforça a proteção legal contra demissões e discriminação motivadas por convicção política. O órgão e a Justiça do Trabalho podem determinar remoção de conteúdos, aplicar multas e buscar indenizações coletivas quando demonstrado potencial de lesão a direitos de categoria de trabalhadores.
O que fazer ao ser alvo de assédio
O MPT recomenda que quem se sentir perseguido por motivos políticos preserve provas digitais (prints, mensagens, vídeos) e registre a denúncia no site do Ministério Público do Trabalho. A medida facilita a investigação e a eventual ação judicial na esfera trabalhista.
“O MPT está atento a todos os casos denunciados e vai atuar de forma célere e firme, aplicando as penalidades cabíveis em cada caso concreto”, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira.
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