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Lula aciona Hino da Independência na Paulista e vincula gesto à soberania

Presidente pediu a execução do hino no ato final da campanha e na celebração da vitória, em São Paulo

Por Redação Os Três Poderes ·

Lula aciona Hino da Independência na Paulista e vincula gesto à soberania

No último ato de campanha antes do segundo turno, na Avenida Paulista, e no dia seguinte, na comemoração da vitória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a execução do Hino da Independência do Brasil, em São Paulo. Ele associou o gesto à defesa da soberania nacional.

Durante o discurso de celebração, Lula afirmou querer “mostrar” aos adversários que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, ao justificar por que pediu para tocar o hino novamente.

Como foi na Paulista

No sábado (24), Lula desfilou em trio elétrico pela avenida ao lado da esposa, Janja, e de aliados. A campanha e o próprio presidente descreveram o ato como um dos maiores já realizados no local. No auge, 14 dos 18 quarteirões ficaram ocupados por manifestantes. Parte do público estranhou a escolha no início, mas a plateia aderiu à medida que a canção avançou.

Contexto e disputa por símbolos

A iniciativa ocorre em meio a uma disputa sobre o significado de “soberania” e o uso de símbolos nacionais — bandeira, verde e amarelo e hinos patrióticos. De acordo com a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de Sociologia e Política da FESPSP, o campo que apoia Lula relaciona soberania à autonomia do Brasil diante de pressões externas, enquanto setores da extrema-direita apresentam o tema com foco em segurança pública, citando declarações de Flávio Bolsonaro (PL).

Para Tathiana, o Hino da Independência — de melodia e refrão amplamente conhecidos — ajuda a enquadrar o discurso presidencial na ideia de autonomia nacional. Ela avalia que a disputa pelos símbolos é parte do debate democrático e que bandeira, cores e referências patrióticas não pertencem a um único grupo político.

Segundo a pesquisadora, a identificação de símbolos como a bandeira e as cores verde e amarelo com a direita ganhou força a partir de 2013, foi intensificada nos protestos de 2015 e 2016 e se consolidou na eleição de 2018. Na campanha de 2026, apoiadores de Lula também buscaram reivindicar essas referências, com iniciativas nas redes sociais para usar verde e amarelo ao lado do gesto em “L”.

Tathiana diferencia ainda duas vertentes de nacionalismo: uma excludente, que delimita quem pertence à comunidade nacional, e outra inclusiva, que reúne pessoas com identidades diversas sem exigir uniformidade.

“Patriotismo nacional e defesa do Brasil não são bandeiras exclusivas da extrema-direita, nunca foram”, disse a pesquisadora.

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