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IFI vê pressão adicional nas contas e defende ajuste fiscal mais robusto após promessas de campanha

Relatório de outubro calcula acréscimo de R$ 40 bilhões em 2027 e necessidade de correção perto de 3 pontos do PIB para estabilizar a dívida

Por Redação Os Três Poderes ·

IFI vê pressão adicional nas contas e defende ajuste fiscal mais robusto após promessas de campanha

Nesta quinta-feira (29), a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, informou no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de outubro que compromissos anunciados durante a campanha do governo eleito aumentam a pressão sobre as contas públicas e demandarão um esforço fiscal mais forte.

De acordo com a IFI, o conjunto formado pelo reajuste do Bolsa Família, a redução de receitas com as chamadas Bets e o pacote voltado aos microempreendedores individuais (MEIs) acrescenta um impacto estimado de R$ 40 bilhões ao orçamento de 2027.

Projeções e tamanho do ajuste

Para este ano, a projeção do órgão é de déficit nas contas do governo em torno de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando os novos compromissos, a IFI avalia que o resultado primário efetivo pode alcançar déficit de 1% do PIB em 2027. Para que a relação dívida/PIB pare de subir, a instituição calcula ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB — o que exigiria um ajuste total de aproximadamente 3 pontos do PIB.

A IFI também menciona propostas ventiladas na campanha, como levar o programa Pé de Meia ao ensino superior e instituir gratuidade no transporte coletivo aos fins de semana por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), instrumento que altera a Constituição e depende de aprovação do Congresso.

Mercados e recomendações

O órgão recorda a instabilidade observada no mercado financeiro após a eleição de Lula e avalia que a divulgação, o quanto antes, de um plano consistente para os próximos quatro anos, além da definição do titular do Ministério da Fazenda, pode contribuir para acalmar investidores e ancorar expectativas.

“Desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento. Romper esse nó górdio deve ser a tarefa número um dentre as ações do futuro governo. Sem um ajuste fiscal consistente não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”, avaliaram os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.

Na avaliação da IFI, um ajuste fiscal efetivo é condição para conter a trajetória da dívida, abrir espaço para a queda de juros, reavaliar a composição dos gastos, elevar a eficiência e ampliar investimentos estratégicos, com foco em infraestrutura e inovação.

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