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Demissão por orientação política e recusa de atendimento são vedadas por lei

Leis trabalhistas, CDC e LGPD proíbem discriminação política e preveem reintegração, multas e indenização

Por Redação Os Três Poderes ·

Demissão por orientação política e recusa de atendimento são vedadas por lei

A legislação brasileira proíbe demissões e recusas de atendimento baseadas em orientação ou filiação política. As condutas são consideradas discriminatórias e abusivas e podem resultar em sanções trabalhistas, cíveis e administrativas.

O que dizem as leis

Na esfera do trabalho, a Constituição assegura a igualdade e veda discriminação, e a Lei nº 9.029/1995 proíbe critérios discriminatórios para acesso ou manutenção do emprego. De acordo com a norma, o trabalhador dispensado por motivo político pode optar pela reintegração ao cargo, com pagamento dos salários do período de afastamento, ou pelo recebimento do valor correspondente em dobro, além da possibilidade de indenização por danos morais. A proteção é reforçada pela Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil.

No consumo, o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) classifica como prática abusiva recusar a venda ou a prestação de serviços quando há disponibilidade e pronto pagamento, alcançando situações de discriminação por convicção partidária. O descumprimento pode levar a multas e outras sanções aplicadas por órgãos de defesa do consumidor, além de ações judiciais por danos morais.

Dados pessoais e convicção política

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) considera a convicção política um dado pessoal sensível. Segundo o advogado Luis Fernando Prado, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Inovação e Regulação Aplicada (IBIRA), mesmo quando a informação é tornada pública pelo titular, seu uso em decisões de contratação, avaliação ou desligamento permanece indevido e pode caracterizar ilicitude.

Como agir e onde denunciar

Conforme o especialista Marcel Zangiácomo, a ameaça ou a pressão para demitir por divergência política pode configurar abuso do poder diretivo e prática discriminatória. Trabalhadores que se sintam constrangidos podem recorrer à Justiça do Trabalho ou apresentar denúncia ao Ministério Público do Trabalho. Dependendo do caso, a conduta pode ser enquadrada como assédio moral ou até gerar responsabilização penal específica.

Exemplo recente

Na Paraíba, o Ministério Público estadual abriu procedimento para apurar publicação de um restaurante de João Pessoa que desencorajava a presença de eleitores de esquerda. A postagem foi apagada horas depois.

O que muda para o RN

Por serem normas federais, as regras valem em todo o país, inclusive para empresas e consumidores do Rio Grande do Norte. Estabelecimentos e empregadores devem separar preferências ideológicas de decisões trabalhistas e comerciais para evitar reintegrações, multas e ações por danos morais.

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