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Carta em que Flávio Bolsonaro se diz 'presidente eleito' provoca reação

Aliados veem desgaste; PF investiga ligações financeiras com advogado Willer Tomaz e movimentação de R$ 130 milhões

Por Redação Os Três Poderes ·

Carta em que Flávio Bolsonaro se diz 'presidente eleito' provoca reação

Em carta divulgada no dia 28, o senador Flávio Bolsonaro se referiu a si mesmo como “presidente eleito”. A manifestação provocou reações de aliados e de instituições em defesa do resultado eleitoral, enquanto o parlamentar é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre possíveis irregularidades financeiras.

Contexto das investigações

De acordo com a Polícia Federal, há um relatório de 84 páginas, baseado em dados do celular do advogado Willer Tomaz, relatórios do Coaf e documentos judiciais, que aponta indícios de possível ligação do senador com um esquema financeiro irregular. As apurações incluem um inquérito sobre repasses do Master, supostamente para financiar o filme Dark Horse, e a análise de movimentação atípica de cerca de R$ 130 milhões em contas ligadas ao advogado.

A PF também afirmou que eventual restrição de viagem não tornava o senador foragido e que não cabia à corporação vigiá-lo.

Reações e divisão na direita

Aliados receberam a carta com espanto e avaliaram que, mesmo após um recuo nas redes em que a expressão “presidente eleito” foi trocada por “líder”, o episódio tende a dificultar a atuação da oposição. Uma parte do grupo tenta relativizar a permanência no exterior e discute a possibilidade de o senador liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, mas admite em reservado limitações práticas. O Tribunal Superior Eleitoral e partidos políticos se manifestaram em defesa do resultado das urnas.

Relação Brasil–Estados Unidos

O tema repercutiu na relação bilateral. O presidente americano declarou: “Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver.” Ele também qualificou a eleição brasileira como “muito estranha” e disse considerar que o senador foi tratado injustamente.

No Planalto, a avaliação é que a interlocução com Washington passa por um período de reajuste, com expectativa de calibragem após definições políticas internas de ambos os países. Integrantes do governo afirmam que há espaço para pragmatismo, preservando as diretrizes da política externa brasileira.

Próximos passos

Os desdobramentos da carta e das investigações devem ser acompanhados nas próximas semanas, tanto no cenário doméstico quanto na frente diplomática. Aliados avaliam, nos bastidores, que a condução do episódio pode redefinir a liderança no campo da direita no Congresso.

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