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BYD prevê manter produção em Camaçari após fim do 6x1

Vice-presidente diz que empresa vai se adequar à nova legislação; Fieb faz ressalvas à mudança

Por Redação Os Três Poderes ·

Alexandre Baldy, VP da BYD Brasil
Alexandre Baldy, VP da BYD Brasil

A BYD afirmou nesta quinta-feira (29.out.2026) que o fim da escala de trabalho 6x1 não deve afetar a produção na fábrica de Camaçari (BA). Segundo o vice-presidente da BYD do Brasil, a empresa fará ajustes para se adequar à mudança na legislação trabalhista sem reduzir a oferta ao mercado.

De acordo com o executivo, “o mercado, hoje, está acima da nossa capacidade produtiva, e nós vamos ajustar isso. Então, não há nada que vá impactar ou reduzir. [Vamos] gerar empregos e produzir aquilo que for necessário. Nós respeitamos a lei, seguimos a lei, e vamos investir de acordo com a legislação”.

O complexo industrial de Camaçari mantém 9.500 empregos diretos e é a 2ª maior empregadora do setor industrial da Bahia, informam os dados divulgados pela empresa.

A posição da montadora difere da manifestação da Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), que divulgou em 15 de outubro um comunicado com ressalvas à redução da escala de trabalho. A entidade afirmou que reconhece a importância da mudança, mas alertou para possíveis impactos.

“[A Fieb] reconhece a importância da redução da carga horária, mas que ela ‘pode comprometer avanços econômicos e sociais’.”

Segundo a empresa, a meta é alcançar 600 mil carros por ano, enquanto a capacidade atual informada é de 150 mil veículos por ano.

Nacionalização e exportações

A BYD está em processo de nacionalização da produção na Bahia, com fase de testes prevista para começar em novembro. O objetivo é ampliar a fabricação local de componentes e reduzir a dependência de peças importadas.

Desde a inauguração da fábrica de Camaçari, em outubro de 2025, a operação ocorre no modelo SKD (semi-knocked down), com kits parcialmente desmontados importados para montagem no Brasil. Com a instalação de unidades de estamparia, soldagem e pintura, a empresa passará a produzir etapas importantes da carroceria no país.

A nacionalização também é apontada pela empresa como caminho para facilitar exportações ao Mercosul. No caso da Argentina, há exigências de conteúdo regional que podem chegar a 35%. A BYD diz ter como objetivo superar 50% de conteúdo local na montagem em janeiro de 2027.

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