MPT-RN investiga fala de empresária da Grande Natal sobre não contratar petistas
Órgão abriu procedimento após vídeo nas redes; empresária pediu desculpas e disse que contratações seguem critérios profissionais
Por Redação Os Três Poderes ·

O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte abriu procedimento para apurar um vídeo em que a empresária Camila Rodrigues, de Macaíba, na Grande Natal, afirma que não contrataria pessoas que apoiam o PT, após o segundo turno das eleições. Segundo o órgão, o caso faz parte de uma série de relatos de discriminação política que passaram a circular nas redes após a votação.
No vídeo, a empresária disse: "Se você é petista, não me mande currículo" e afirmou ser "totalmente intolerante ao petista". Após a repercussão, ela divulgou notas reconhecendo que as declarações foram inadequadas e pediu desculpas. Em manifestação pública, afirmou que suas opiniões foram dadas em um vídeo pessoal e que os processos de contratação das empresas devem considerar critérios profissionais, sem discriminação político-partidária.
O que diz o MPT-RN
De acordo com o procurador-chefe do MPT-RN, Gleydson Gadelha, a apuração começa pela verificação da autenticidade do conteúdo publicado nas redes, com possibilidade de análise técnica para checar se houve edição. Em seguida, o órgão avalia se houve ilícito trabalhista e se a conduta pode configurar assédio eleitoral ou discriminação na relação de trabalho.
"A gente chama de fase punitiva, quando os empregadores começam a cumprir as ameaças que eles fizeram durante a campanha. Nós entendemos que isso é uma forma de assédio eleitoral também", disse Gleydson Gadelha.
Desdobramentos possíveis
Segundo o MPT-RN, caso sejam constatadas irregularidades, podem ser aplicadas sanções administrativas, incluindo multas. O caso também pode ser encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, ao Ministério Público comum e à Auditoria Fiscal do Trabalho, para análise em outras esferas.
Contexto no RN
Gleydson Gadelha informou que o MPT-RN recebeu 42 denúncias de possíveis casos de assédio eleitoral até o dia da votação, parte delas resultando em ações judiciais, como pedidos de liminar para retirada de conteúdos ofensivos publicados na internet. O órgão reforça que o recebimento de denúncias continua após o fim das eleições.
Como denunciar
Relatos de assédio eleitoral podem ser enviados ao Ministério Público do Trabalho pelo site do MPT, de forma remota e sigilosa. Podem ser denunciadas pressões e ameaças durante a campanha e também represálias após o resultado, como recusa de contratação ou ameaças de demissão por causa da posição política.
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