Flávio Bolsonaro e Lula mudam posições sobre Bolsa Família e maioridade penal
Declarações durante a campanha de 2026 mostram revisões em temas sociais, segurança pública e jornada 6x1
Por Redação Os Três Poderes ·
Durante a campanha presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisaram posições públicas sobre políticas sociais, segurança e relações de trabalho, conforme declarações em eventos de campanha, entrevistas e registros em redes sociais.
Bolsa Família: de críticas a defesa do benefício
Publicações antigas de Flávio Bolsonaro em rede social, entre 2011 e 2014, criticavam o Bolsa Família e associavam o programa a práticas de clientelismo e dependência. Na campanha de 2026, o senador passou a defender a manutenção do benefício. Em junho, afirmou:
Esse programa virou um direito adquirido do povo brasileiro. Ninguém tem o direito de tocar ou de acabar com esse programa. Qualquer país do mundo tem um programa para pessoas de baixa renda que têm dificuldade alimentar
Em vídeo divulgado durante a campanha, ele negou intenção de acabar ou reduzir o auxílio:
É óbvio que isso não vai acontecer. É óbvio que isso é mentira. Você que recebe o Bolsa Família fica tranquilo, o seu benefício está garantido, porque eu vou cuidar de você
Segundo a campanha de Flávio, uma proposta em discussão prevê que beneficiários possam continuar recebendo parte do auxílio por até dois anos após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa.
Maioridade penal: Lula restringe apoio a crimes hediondos
Lula, que por anos se posicionou contra reduzir a idade de responsabilização penal — atualmente fixada em 18 anos —, mudou o entendimento em 2026. Em 2007, ao comentar a discussão após um caso de grande repercussão no Rio de Janeiro, disse:
Isso não resolve o problema
Em 2015, voltou a criticar a proposta:
Parte da elite conservadora acha que vai resolver o problema colocando moleque de 15 anos na cadeia
Neste ano, em 15 de outubro, afirmou apoiar a redução da maioridade para 16 anos em crimes hediondos:
Todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a maioridadeQuatro dias depois, reconheceu a mudança:
Temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós somos convencidos de que é importante
Escala 6x1: senador altera voto na reta final
Na agenda trabalhista, Flávio Bolsonaro inicialmente defendeu maior flexibilidade contratual como alternativa à redução da jornada. Depois, na reta final da campanha, informou que votaria a favor do fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e disse ter sido convencido após ouvir trabalhadores. Em debate, declarou:
Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros
Tributação de compras até US$ 50
A pauta econômica também incluiu a chamada taxa sobre compras internacionais de até US$ 50. O governo apoiou a cobrança em 2024 e, em 2026, o tema é alvo de iniciativa para revogação, sinalizando mudança de orientação ao longo do período.
Contexto
O Bolsa Família é um programa de transferência de renda a famílias de baixa renda e tornou-se um dos eixos do debate eleitoral. A maioridade penal no Brasil é de 18 anos; a posição apresentada por Lula limita a redução a crimes hediondos, conforme a legislação que tipifica esse rol. A discussão sobre a escala 6x1 envolve eventuais alterações na jornada e no descanso semanal, e depende do teor de propostas e votações no Congresso.
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