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Custo de vida: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem

Planos tratam de energia, tributos, crédito e agricultura familiar, mas sem metas que permitam estimar a economia das famílias

Redação Os Três Poderes, com informações de Agora RN

Corredores de supermercado com prateleiras de alimentos e consumidores fazendo compras
Corredores de supermercado com prateleiras de alimentos e consumidores fazendo compras Foto: Reprodução

Os programas de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno presidencial em 25 de outubro, reúnem diretrizes para conter o custo de vida em itens como alimentos, energia e crédito. Segundo os documentos apresentados pelos partidos, há propostas em tributação, logística e apoio à agricultura familiar, mas sem metas numéricas que permitam estimar a economia de cada família.

Principais diretrizes

O plano do PL fala em revisar e redimensionar a reforma tributária, buscando reduzir a carga sobre produção e consumo. Na conta de luz, propõe racionalizar encargos e subsídios cruzados, reduzir gradualmente a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e manter a tarifa social, além de diminuir impostos sobre energia elétrica e combustíveis.

O documento do PT defende a manutenção da inflação sob controle, condições para uma redução sustentada dos juros e a continuidade da política de valorização do salário mínimo. Para a alimentação, propõe ampliar o Plano Safra da Agricultura Familiar, com prioridade para itens da cesta básica, e manter a expansão do Programa de Aquisição de Alimentos.

Como pretendem viabilizar

No programa do PL, a queda dos preços dos alimentos é associada a melhorias logísticas, como corredores de escoamento, aumento da capacidade de armazenagem, seguro rural e produção nacional de fertilizantes. Para crédito e juros, o partido relaciona suas propostas à estabilização e à redução da dívida pública e à orientação financeira pela rede da Caixa.

O PT vincula a estabilidade de preços a responsabilidade fiscal, qualidade do gasto e ganhos de produtividade. Na agricultura familiar, o plano prevê crédito com juros compatíveis ao perfil do produtor e simplificação do acesso. Em energia, menciona planejamento, expansão de renováveis e investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico.

O que não está detalhado

Nos trechos citados, o PL não indica qual seria a alíquota final de imposto sobre consumo nem percentuais de redução esperados na conta de luz por tipo de consumidor. Também não apresenta estimativas de economia por produto para as medidas logísticas.

No caso do PT, não há metas de queda de preços para alimentos específicos nem trajetória numérica de juros. A ampliação do crédito agrícola não vem acompanhada, nesses trechos, de um orçamento anual completo para 2027 a 2030.

Promessa não é projeção de economia

Instrumentos como redução de custos de produção e transporte, aumento de oferta e proteção de renda atuam de formas distintas. A existência dessas diretrizes nos programas não comprova, por si, queda futura de preços; por isso, não é possível converter as promessas em valores de economia para famílias. As lacunas destacadas referem-se aos trechos citados dos planos, e a ausência de um detalhe no documento não implica falta de posição da candidatura. A execução depende de decisões administrativas, disponibilidade de recursos e, conforme a medida, de articulação federativa ou mudanças legislativas.

Possíveis impactos para o RN

Medidas voltadas à agricultura familiar, à logística e à energia têm efeito potencial no Rio Grande do Norte, onde a produção rural e o custo da eletricidade influenciam preços locais. Linhas de crédito mais acessíveis e programas de compra pública de alimentos podem alcançar produtores potiguares, enquanto ajustes em encargos e subsídios da energia podem afetar contas residenciais e industriais no estado. O alcance desses efeitos dependerá de regulamentação, orçamento e implementação em parceria com estados e municípios.

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