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Brics opõe Lula e Flávio na campanha; um quer ampliar laços, outro cogita saída

Às vésperas do 2º turno, Lula quer aprofundar o Brics; Flávio avalia saída. Membros originais compraram US$ 95 bi do Brasil até setembro, diz MDIC

Por Redação Os Três Poderes ·

Brics opõe Lula e Flávio na campanha; um quer ampliar laços, outro cogita saída

Às vésperas do 2º turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentam visões opostas para o Brics, aliança que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), de janeiro a setembro de 2026 os integrantes originais do grupo compraram US$ 95 bilhões em exportações brasileiras. O dado ilustra o peso comercial do tema em disputa na campanha.

O que é o Brics e como está hoje

O Brics surgiu como um agrupamento de economias com potencial de crescimento e foi formalizado em 2009. Embora não funcione como um bloco econômico tradicional, a articulação serve para aproximar posições políticas e ampliar relações comerciais e financeiras. Além dos cinco fundadores, a composição foi ampliada com Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã.

O que dizem os planos

Lula

Lula propõe aprofundar a aproximação com o Brics e cita o grupo em seu plano de governo. No documento, o Brics é descrito como espaço estratégico para a articulação do chamado Sul Global.

“Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o Brics e com o Sul Global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade”

Segundo o que o presidente vem afirmando em agendas oficiais, o fortalecimento do bloco é visto como alternativa à hegemonia das grandes potências. A ex-presidente Dilma Rousseff, que dirige o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), ligado ao Brics, defende medidas como a desdolarização das transações entre os países — pauta que Lula apoia.

Flávio Bolsonaro

O programa de Flávio não menciona diretamente o Brics e enfatiza a reaproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina. Em 3 de junho, em entrevista, o senador disse que, se eleito, reavaliará a permanência do Brasil no grupo e poderá propor a saída.

“Assim que eu me sentar na cadeira de presidente, vou reavaliar se o Brasil deve ficar em um bloco que, hoje, é muito ideológico, usado pelo presidente Lula para provocar, inclusive, os Estados Unidos e o presidente Trump, propondo que dólar não seja mais moeda para transações internacionais […] Vamos considerar deixar o bloco”

Na região, há precedente: ao assumir em dezembro de 2023, o presidente da Argentina, Javier Milei, comunicou a desistência do ingresso do país no Brics, revertendo decisão do antecessor.

Movimentos recentes do bloco

Em 12 de setembro, os países do Brics aprovaram a Declaração de Nova Délhi. Entre os pontos, China e Rússia reiteraram apoio ao pleito brasileiro por assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Por conta do calendário eleitoral, Lula não participou do encontro.

O que pode mudar para o RN

Uma eventual reorientação da política brasileira para o Brics pode influenciar negociações comerciais, financiamento de projetos via NBD e o acesso a mercados estratégicos. Para o Rio Grande do Norte, que tem setores exportadores voltados a mercados externos, mudanças na relação do Brasil com o bloco tendem a afetar o ambiente de negócios, câmbio de experiências e oportunidades de investimento.

Com a próxima cúpula prevista para 2027, o resultado das urnas indicará se o Brasil manterá a atual aproximação com o Brics ou seguirá por um caminho de afastamento.

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