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Milei é o único líder sul-americano que não reconheceu vitória de Lula, e silêncio põe em risco diálogo entre Brasil e Argentina

A postura do presidente argentino amplia atrito diplomático que pode repercutir nas relações comerciais e no Mercosul

Por Redação Os Três Poderes ·

Foto de Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina, em foto de arquivo

O silêncio do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras elevou um quadro de tensão diplomática entre os dois países que pode ter impacto econômico: Brasil e Argentina mantêm forte integração no Mercosul e na cadeia industrial, e, conforme dados do governo argentino, em 2025 o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas (mais de US$ 12,8 bilhões) e também sua maior origem de importações (US$ 18,4 bilhões).

O que aconteceu

Até segunda-feira (26), Milei figurava como a única autoridade presidencial da América do Sul que não havia reconhecido o resultado das eleições brasileiras, enquanto vários colegas regionais já haviam enviado felicitações a Lula. Entre os que manifestaram cumprimento estavam presidentes do Chile, Peru, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname.

A postura de Milei soma-se a uma série de trocas públicas de ataques entre ele e o presidente eleito do Brasil. O argentino fez críticas diretas a Lula durante a campanha brasileira e em eventos políticos, chegando a usar termos pejorativos e a afirmar que houve intervenção de marqueteiros brasileiros nas eleições argentinas de 2023, segundo declarações públicas do próprio Milei.

Reações e consequências diplomáticas

O clima entre os governos já havia gerado medidas formais: o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, além de divulgar uma nota classificando determinados episódios como "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira qualificou o caso como grave, embora na ocasião tenha descartado medidas mais drásticas, como retirada definitiva de representantes diplomáticos.

Do lado brasileiro, Lula inicialmente demonstrou desinteresse público pelas provocações, mas depois endureceu o discurso e criticou a participação do argentino em atos de campanha de adversários políticos. Entre líderes de outros países, as mensagens de felicitações ao vencedor brasileiro enfatizaram a importância da cooperação regional e de enfrentar desafios comuns.

O que muda para o Brasil

Analistas e autoridades avaliam que a ausência de reconhecimento por parte de um parceiro-chave pode dificultar o diálogo em temas sensíveis, como comércio, indústria e agendas do Mercosul. Considerando a interdependência comercial citada nos dados oficiais argentinos, um prolongamento do atrito diplomático pode trazer custos políticos e econômicos para ambos os lados caso as divergências interfiram em negociações bilaterais.

Na prática, a evolução da relação dependerá das próximas ações dos dois governos: da disposição argentina em emitir um reconhecimento formal e retomar canais de diálogo, e das respostas diplomáticas do Brasil, que já registraram manifestações oficiais de desaprovação às declarações de Milei.

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