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Flamengo aprova readequação orçamentária e prevê déficit de R$ 40 milhões

Clube informou mudança de superávit para perda após revisão que aponta aumento de custos com contratações e queda em receitas previstas

Por Redação Os Três Poderes ·

Flamengo
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O Conselho de Administração do Flamengo aprovou na quarta-feira (28) uma readequação do orçamento para 2026 que altera a projeção de resultado do ano: em vez de um superávit estimado de R$ 180 milhões, o clube passou a prever um déficit de R$ 40 milhões.

O que motivou a revisão

Segundo informações apresentadas na reunião do conselho, a mudança representa uma reversão de R$ 220 milhões no quadro financeiro originalmente previsto. O relatório teve parecer favorável do Conselho Fiscal e da Comissão Permanente de Finanças e foi aprovado por 41 votos a favor, seis contrários e duas abstenções.

O futebol foi apontado como principal vetor do desequilíbrio. A readequação incluiu redução de R$ 94 milhões na expectativa de arrecadação com transferências de jogadores e registrou acréscimo de R$ 234 milhões em despesas com contratações acima do orçamento inicial.

O diretor-geral Paulo Dutra citou entre os fatores que contribuíram para o resultado negativo a contratação de Lucas Paquetá, cujo custo total foi apresentado como R$ 315 milhões, além de negociações de venda que não se concretizaram e a não efetivação de receita com naming rights do Maracanã.

Receitas frustradas e custos extras

Também foram apontadas como fontes do ajuste a falta de incentivos fiscais previstos, custos decorrentes da troca da comissão técnica e desfechos esportivos que reduziram prêmios e bilheteria. A eliminação nas semifinais da Libertadores foi destacada por ter interrompido uma possibilidade de receita estimada em R$ 165 milhões. Derrotas ou vice-campeonatos em competições continentais e nacionais em que o clube disputou vagas e premiações também foram mencionados.

Além disso, houve aumento de 7,3% nas despesas gerais e administrativas — cerca de R$ 15 milhões — e alta de 25,4% nos custos operacionais do Maracanã, que somaram R$ 17,8 milhões a mais que o previsto.

Reações internas e posição oficial

O ex-presidente Rodolfo Landim, presente à reunião, comparou o déficit atual a dívidas anteriores relacionadas à compra de um terreno durante sua gestão. O vice-presidente do Conselho Fiscal, Francisco Gularte, afirmou que a readequação era necessária para corrigir falhas na execução orçamentária do início do ano.

Em comunicado oficial, o clube procurou relativizar o impacto do resultado e ressaltou a estrutura de endividamento como sólida. Na nota, o Flamengo explicou que a readequação orçamentária é um procedimento previsto no estatuto e uma prática de governança que confronta projeções com a execução do exercício: "Trata-se de uma revisão regular: ao longo do ano, o orçamento aprovado originalmente é confrontado com o que de fato aconteceu, e as projeções são ajustadas para refletir a realidade do exercício".

O que muda para as finanças

Entre os poucos itens com crescimento de receita, o clube registrou aumento na arrecadação com sócios-torcedores, de R$ 39,2 milhões para R$ 42,1 milhões, alta de 7,6%. A diretoria também informou que a suspensão do patrocínio máster não está relacionada ao déficit, por tratar-se de um valor do primeiro ano do contrato que já havia sido antecipado.

A mudança de previsão para 2026 pode influenciar decisões sobre investimentos, negociações de atletas e gestão de dívida ao longo dos próximos meses, uma vez que altera projeções de caixa e necessidade de ajustes operacionais.

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