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Estudantes da UFF organizam protesto que desencadeou onda de manifestações pró-reversão do resultado eleitoral

Ato espontâneo em Niterói reunindo centenas na noite chuvosa ampliou-se em ruas de outras cidades e virou ponto de mobilização estudantil

Por Redação Os Três Poderes ·

Estudantes da UFF organizam protesto que desencadeou onda de manifestações pró-reversão do resultado eleitoral

Um protesto convocado por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) na noite de 5 de outubro reuniu centenas de pessoas em Niterói e acabou por impulsionar uma série de manifestações estudantis em várias cidades do país. A mobilização nasceu de publicações feitas por dois coletivos do curso de direito e transformou angústia e preocupação com o resultado do primeiro turno em uma passeata que percorreu o bairro de Icaraí até a Faculdade de Direito, no Ingá.

Como surgiu o ato

O ato foi convocado pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, segundo as próprias entidades. Um cartaz dizia: "O abalo e o espanto precisam se transformar em movimento", indicando a intenção de canalizar o descontentamento dos estudantes diante do placar eleitoral que mostrava vantagem do candidato do PL sobre o presidente reeleito.

Participantes relataram que a mobilização foi articulada rapidamente na noite do domingo e que, apesar da intenção inicial de ser um encontro interno entre alunos, professores e representantes de entidades, o protesto ganhou adesões externas — moradores desceram de prédios e transeuntes se juntaram à caminhada, e a atividade seguiu em chuva.

Motivações e lembrança de cortes anteriores

Estudantes ouvidos pela reportagem atribuíram a iniciativa à preocupação com propostas anunciadas pelo candidato do PL que, conforme disseram, incluíam transferência de universidades para outro ministério e risco de redução de verbas. Valentina Cruz, diretora do centro acadêmico de Direito, disse que a proposta constava no plano de governo do candidato e que a vitória dele representaria cortes em áreas essenciais das universidades.

Integrantes do movimento também evocaram experiências recentes de redução de recursos federais às instituições de ensino. Simão Gabriel Adorno, da atlética do direito, lembrou que a UFF foi uma das primeiras federais a sofrer contingenciamento durante gestões anteriores, com impacto em bolsas e funcionamento, e que essa memória pesou na decisão de agir.

Expansão das ações e repercussão

Após a passeata em Niterói, estudantes realizaram nova caminhada no centro do Rio poucos dias depois e atos ocorreram em outras capitais, como Brasília, onde multidões se reuniram na Esplanada dos Ministérios. A sequência de protestos integrou uma campanha popular que passou a buscar a reversão do resultado eleitoral por meio de mobilização nas ruas, com foco em atrair eleitores indecisos ou votos nulos.

Alunos que participaram afirmaram a intenção de manter presença nas ruas. Isabela Casalini, estudante da UFF, disse que foi às manifestações primeiro movida por revolta e que pretende continuar se posicionando nos próximos anos. Alguns participantes relataram hostilidade de setores contrários durante as ações, como o lançamento de ovos contra os manifestantes, mas afirmaram que os protestos seguiram de forma pacífica.

Protagonismo estudantil na história recente

Pesquisadores e participantes destacaram que a atuação estudantil tem precedentes na história política brasileira e apontaram episódios anteriores em que estudantes tiveram papel central em mobilizações e transformações sociais. A mobilização na UFF foi interpretada por esses entrevistados como continuidade desse protagonismo, agora direcionada à defesa da educação pública e da democracia frente ao resultado do primeiro turno.

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