CNI aponta juros como maior entrave ao crédito para a indústria

Levantamento com 1.701 empresas indica recuo na percepção do peso das taxas, mas custo do crédito segue elevado

Ilustração: Uma moeda gigante ocupa o primeiro plano, banhada por luz lateral que realça textura e sulcos; sobre sua borda repousa uma fábrica estilizada, presa por correntes grossas que envolvem a base da moeda. Ao fundo, uma balança vazia e sombras de engrenagens gigantes projetam-se sobre um hori
Imagem ilustrativa Gerada por IA

A indústria brasileira segue apontando os juros elevados como a principal barreira para acessar crédito, indica a Sondagem Especial 107 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (9). Segundo a Agência Brasil, o levantamento avaliou as condições de financiamento enfrentadas entre fevereiro e julho.

A pesquisa ouviu 1.701 indústrias de todo o país entre 3 e 12 de agosto, contemplando 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes empresas. Entre as que relataram dificuldades para obter crédito, 76% citaram as taxas como um dos principais entraves nas operações de curto e médio prazo; no longo prazo (prazo superior a cinco anos), o percentual foi de 69%.

Principais obstáculos

Depois dos juros, as exigências de garantias reais foram o entrave mais frequente: 33,4% nas operações de curto e médio prazo e 31,5% nas de longo prazo. A burocracia apareceu em 13,6% no curto/médio prazo. Para o longo prazo, a segunda dificuldade foi o prazo de carência considerado insuficiente, mencionado por 18,9%.

Em relação ao levantamento anterior, de 2025, houve redução na parcela de empresas que apontam os juros como problema: eram 80% nas operações de curto/médio e 71% nas de longo prazo. Para a CNI, a queda das taxas básicas demora a aparecer no custo final do crédito às empresas.

“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”.

As informações são da analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso.

Busca por crédito e taxa de insucesso

No período analisado, 49,9% das empresas não tentaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo; 22,9% conseguiram financiamento e 7,5% tentaram sem obter os recursos. No longo prazo, 54% não buscaram financiamento; 15,5% contrataram ou renovaram e 9,2% tentaram sem sucesso.

Entre quem efetivamente buscou crédito, a taxa de frustração aumentou frente a 2025: de 20% para 24,7% no curto/médio prazo e de 33% para 37,2% no longo prazo. No longo prazo, os maiores índices de insucesso foram registrados por pequenas (48,2%) e médias (48,1%) empresas, contra 29,9% das grandes.

Finalidade dos recursos e medidas sugeridas

O levantamento aponta uso de linhas de longo prazo para despesas do dia a dia: 28,7% indicaram capital de giro como principal finalidade, acima de máquinas e equipamentos (23,6%) e de construção/instalações (11,6%). No curto e médio prazo, quase 60% também apontaram capital de giro como destino principal.

Para facilitar o acesso ao crédito, 38,4% das empresas citaram a redução de custos tributários e administrativos no curto/médio prazo, e 31,2% no longo prazo. Outras propostas recorrentes foram a ampliação de linhas públicas (22,8% no curto/médio e 26,3% no longo) e a simplificação das exigências bancárias (21,1% e 22,1%, respectivamente).

Contexto

A sondagem da CNI reflete a percepção das empresas sobre o custo e as condições de empréstimos. Esse ambiente influencia o planejamento de investimentos e o capital de giro do setor produtivo em todo o país, com efeitos para cadeias industriais regionais, inclusive no Rio Grande do Norte.

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