Câmara aprova reajuste do teto do MEI e anistia de dívidas
Limite sobe para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028; projeto permite até dois empregados e segue para análise do Senado
Redação Os Três Poderes, com informações da Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14), por 461 votos favoráveis e quatro contrários, o PLP 186/26, que eleva o limite anual de receita do microempreendedor individual (MEI) e concede anistia de dívidas inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026. O texto segue para análise do Senado.
O que muda para o MEI
O teto anual do MEI, hoje em R$ 81 mil, será reajustado progressivamente para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Segundo o governo, é o primeiro reajuste desde 2018. A proposta também autoriza a contratação de até dois empregados que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria profissional — atualmente é permitido apenas um.
Anistia e condições
O projeto prevê remissão integral dos débitos de MEIs inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026. Para manter o benefício, o contribuinte deverá permanecer adimplente com os tributos nos seis meses subsequentes à entrada em vigor da lei complementar; caso contrário, a remissão será cancelada. Também será exigida a desistência de ações judiciais em curso relativas aos débitos, sem pagamento de honorários pela extinção do processo.
Impacto fiscal e posições
De acordo com o governo, a atualização recompõe o patamar definido em 2018 e permite que negócios em crescimento permaneçam por mais tempo no regime simplificado. A estimativa de impacto orçamentário é de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029.
“A ampliação não representa expansão real do regime, mas recomposição monetária do mesmo patamar fixado em 2018”.
O relator, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), afirmou que a mudança evita que microempreendedores rescindam contratos para não ultrapassar os limites atuais e disse que a medida deve beneficiar mais de três milhões de MEIs com débitos inscritos.
“Queremos aliviar o microempreendedor para que possa retomar suas atividades amplamente no mercado. Aquecer a economia, gerar emprego, beneficiar todos”.
“Se um MEI contrata hoje uma mulher e ela engravida, durante a licença não poderia contratar outro funcionário”.
Outras medidas e trâmite
O texto também eleva para R$ 100 mil o teto do valor de licitações destinadas exclusivamente a microempresas e empresas de pequeno porte, hoje em R$ 80 mil.
Durante a sessão, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa pretende tratar até o fim do ano do reajuste do Simples Nacional.
“Assumo o compromisso com todos os partidos desta Casa de que, até o final do ano, possamos tratar do reajuste das empresas no regime do Simples Nacional. Não haverá prejuízo algum”.
Após a aprovação na Câmara, a proposta seguirá para o Senado.
Contexto e efeitos para o RN
O MEI é um regime simplificado para formalizar pequenos negócios com limite anual de faturamento e obrigações reduzidas. A ampliação do teto e a possibilidade de contratar até dois empregados podem facilitar a permanência de microempreendedores no regime e influenciar a geração de postos formais em todo o país, inclusive no Rio Grande do Norte e em Natal, caso a proposta seja confirmada pelo Senado.
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