Vorcaro diz à PF que crise no BRB decorreu da investigação e nega ter causado rombo
Em depoimento ao governo federal, ex-banqueiro afirma que retirada de recursos e liquidação do Master provocaram perda de credibilidade do BRB
Por Redação Os Três Poderes ·

Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 15 de outubro de 2026, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou não ser responsável pela crise que atingiu o Banco de Brasília (BRB) e atribuiu o colapso à repercussão da investigação sobre o Banco Master. O vídeo do depoimento foi tornedo público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (29).
O depoimento e as alegações
Vorcaro disse à delegada Janaina Palazzo que enfrentou problemas em uma carteira de crédito ligada à consultoria Tirreno e que, para solucionar a questão, substituiu ativos do banco por ativos próprios. Ele declarou que agiu de "boa fé" nas operações envolvendo a carteira que teria sido repassada ao BRB por R$ 11,5 bilhões.
Ao comentar a sequência de eventos que levou à crise do BRB, Vorcaro afirmou: "O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB" e sustentou que a crise de liquidez não foi gerada por ele, mas pela liquidação do Master e pelas consequências da investigação.
Como está o caso
A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no inquérito principal da operação conhecida como Compliance Zero, entre elas Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A lista de indiciados deve ser enviada ao Ministério Público Federal pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que avaliará se apresenta denúncias à Justiça.
A crise do BRB tem relação com negociações entre o banco e o Banco Master realizadas em 2024 e 2025, que somaram cerca de R$ 30 bilhões, segundo balanços citados pela investigação. Em novembro de 2025, a operação da Polícia Federal apontou suspeitas de fraudes em parte dessas transações.
O BRB estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos junto ao Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação — o chamado "crédito podre". O governo declarou ser capaz de recuperar R$ 2,2 bilhões por outras medidas e busca empréstimo para cobrir os R$ 6,6 bilhões restantes.
Contexto institucional
Depoimentos e indiciamentos em inquéritos conduzidos pela Polícia Federal são encaminhados ao Supremo Tribunal Federal quando envolvem pessoas com foro por prerrogativa de função. Cabe ao ministro relator decidir o envio ao Ministério Público Federal, que é o órgão responsável por propor eventual denúncia ao Judiciário.
O caso segue sob investigação e pode resultar em ações penais caso o Ministério Público entenda haver elementos suficientes para denunciar os indiciados.
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