Vídeos usam conta imprecisa para questionar 2º turno presidencial
Cálculo soma abstenções e votos da 3ª via e desconsidera migração e mudanças de comparecimento
Por Redação Os Três Poderes ·

Vídeos que circulam nas redes sociais questionam os resultados do 2º turno das eleições presidenciais ao comparar o crescimento de votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). As postagens ganharam tração após Elon Musk afirmar no X que a “matemática não fecha”.
Em um dos exemplos, os autores calculam que Lula teria obtido mais 10.376.694 votos no 2º turno e Flávio, mais 3.721.538, somando 14.098.232 votos adicionais. Em seguida, equiparam esse total à soma de 4.781.485 votos de variação entre brancos, nulos e abstenções do 1º para o 2º turno com 9.316.747 votos atribuídos a candidaturas da chamada 3ª via no 1º turno. A partir daí, concluem que a virada seria improvável ou impossível.
Por que a conta não se sustenta
O raciocínio é impreciso por, ao menos, dois motivos principais: ignora a migração de votos entre turnos (eleitores podem mudar de preferência, desistir de votar ou comparecer no 2º turno) e parte da suposição de que todos que escolheram Lula ou Flávio no 1º turno repetiram exatamente a mesma opção na rodada final.
Os números oficiais permitem medir o crescimento líquido de cada candidatura, mas não identificar a origem individual dos votos adicionais. Assim, não é possível afirmar, apenas com totais agregados, que todos os acréscimos vieram da 3ª via ou da variação entre brancos, nulos e abstenções. Parte do eleitorado de um candidato pode ter deixado de comparecer no 2º turno ou mesmo migrado para o adversário.
Contexto
O eleitorado apto a votar nestas eleições soma 158.745.463 pessoas, universo em que mudanças de comparecimento, decisões de última hora e conversão de apoios entre turnos podem alterar significativamente os totais de cada candidatura. Sem metodologia que rastreie o comportamento do eleitor, somas simples não demonstram inconsistências nos resultados.
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