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MPF e ONG acionam multinacional por danos das enchentes de 2024

Pedido calcula reparação parcial com base em atribuição climática e participação histórica da empresa nas emissões

Por Redação Os Três Poderes ·

MPF e ONG acionam multinacional por danos das enchentes de 2024

O Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Preservar ajuizaram em 9 de outubro ação civil pública contra uma grande multinacional do petróleo, pedindo reparação por danos relacionados às enchentes de 2024. A soma de danos materiais e morais coletivos chega a cerca de R$ 540 milhões.

Segundo os autores, o cálculo parte da fração do custo público do desastre atribuída à intensificação do evento pelo aquecimento global — estimada em 12% — e aplica, sobre essa parcela, a participação histórica da empresa nas emissões globais, indicada em 2,02%. O resultado embasa o pedido de cerca de R$ 270 milhões por danos materiais e valor equivalente por dano moral coletivo.

Base jurídica e prova científica

Os proponentes afirmam que o pedido se apoia na ciência de atribuição climática, que relaciona emissões de gases de efeito estufa ao aumento de probabilidade e intensidade de eventos extremos. Estudos do Grantham Research Institute, entre outros, apontam o uso crescente desse tipo de prova em cortes estrangeiras e a aceitação de relatórios do IPCC como evidência.

No plano jurídico brasileiro, a responsabilidade civil por dano ambiental é objetiva e pode alcançar poluidores diretos e indiretos de forma solidária. A Política Nacional sobre Mudança do Clima prevê a consideração das responsabilidades individuais quanto à origem das fontes emissoras, princípio citado para ligar emissões históricas a perdas e danos coletivos.

Litigância climática no Brasil

O Brasil figura entre os países com maior número de ações sobre clima. A Plataforma de Litigância Climática no Brasil (JUMA/PUC-Rio) registrava 418 casos no início de outubro de 2026. Para os autores, o processo apresenta um marco ao quantificar uma reparação parcial a partir de métodos de atribuição e da participação histórica da ré nas emissões globais.

O que pode mudar para o RN

Eventuais decisões que acolham pedidos desse tipo podem impactar políticas públicas e contas de estados e municípios, inclusive no Rio Grande do Norte, ao orientar medidas de prevenção a desastres e a alocação de recursos para adaptação climática e reparação de danos.

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