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Maior presença evangélica coincide com melhor voto em Flávio Bolsonaro

Cruzamento municipal com Censo 2022 (IBGE) e totalização do TSE mostra variações regionais e limites para explicar o resultado

Por Redação Os Três Poderes ·

Ilustração: Um primeiro plano com um púlpito estilizado em madeira iluminado por um foco lateral; ao fundo, em profundidade, há um conjunto de igrejas e casarios em miniatura formando aglomerados municipais, e à direita barras gráficas tridimensionais sob leve sombra sugerem variações de votação por
Imagem ilustrativa Imagem ilustrativa gerada por IA

Um cruzamento de dados do Censo 2022, do IBGE, com a votação do segundo turno de 25 de outubro, divulgada pelo TSE, indica que Flávio Bolsonaro (PL) teve, em média, melhor desempenho nos municípios com maior proporção de moradores que se declaram evangélicos. Lula (PT) foi reeleito presidente.

Como foi feito o cruzamento

Segundo o levantamento, cada município foi classificado em faixas de proporção de evangélicos e em faixas de votação no candidato do PL — baixa, média e alta. As cidades variam de cerca de 1,2% a 88,7% de população evangélica, e a votação de Flávio Bolsonaro oscilou de aproximadamente 7,6% a 90,5% dos votos válidos.

Nas faixas com até 20% de evangélicos, Lula aparece à frente. A partir de cerca de 30% de evangélicos na população municipal, a vantagem média passa a favorecer Flávio, inclusive nas faixas entre 30% e 50% e acima de 50%.

O que aparece por região

No Centro-Oeste, a coincidência entre maior presença evangélica e votação mais alta em Flávio é a mais nítida, com ampla concentração de municípios nessa combinação.

No Nordeste — região da qual o Rio Grande do Norte faz parte — predominam cidades com menor proporção de evangélicos e vantagem para Lula. Capitais da região também registraram ampla dianteira do presidente reeleito, segundo o levantamento.

No Sul, a religião praticamente não explica o voto: há cidades com baixa presença evangélica que, ainda assim, deram larga votação ao candidato do PL. No Norte, grandes áreas com alta presença evangélica registraram resultados intermediários ou baixos para Flávio.

Limites da interpretação

De acordo com a análise, a correlação entre a proporção municipal de evangélicos e a votação não demonstra causalidade. O indicador mostra variáveis que se movimentam juntas sem isolar outros fatores — econômicos, sociais ou políticos — que também influenciam o comportamento eleitoral.

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