Justiça argentina manda guardar imagens que mostrariam passagem de Flávio Bolsonaro pelo país
Medida busca provas sobre possível ajuda de autoridades argentinas na saída do senador do Brasil; preservação foi determinada por juíza federal
Por Redação Os Três Poderes ·

A Justiça Federal da Argentina determinou a preservação de imagens de câmeras e outros registros que registraram a passagem do senador Flávio Bolsonaro pelo país antes de seguir aos Estados Unidos. A ordem foi expedida pela juíza federal María Eugenia Capuchetti a pedido da procuradora Paloma Ochoa.
A medida, segundo o despacho judicial, tem por objetivo reunir provas para avaliar se houve auxílio irregular de autoridades argentinas na saída do senador do Brasil, apesar de uma proibição judicial de deixar o território brasileiro. A decisão foi encaminhada a órgãos argentinos responsáveis por migração, controle aduaneiro, segurança aeroportuária e pela gendarmaria nacional.
O que foi determinado
A ordem exige a preservação das gravações — incluindo imagens da Ponte Internacional Tancredo Neves, na fronteira com o Brasil, e do aeroporto de Puerto Iguazú —, mas não impõe a entrega imediata dos arquivos à Justiça. A magistrada também solicitou os registros migratórios do senador e informações sobre eventuais pedidos de cooperação internacional relacionados ao caso.
Origem das apurações e pessoas citadas
O pedido de preservação das provas nasceu a partir de denúncias apresentadas por parlamentares argentinos que pedem investigação sobre possível participação de autoridades locais na movimentação que permitiu a saída do senador. Entre os citados nas denúncias aparecem o presidente argentino Javier Milei, o chanceler Pablo Quirno, a ministra da Segurança Alejandra Monteoliva e um assessor presidencial que estava na província de Misiones durante a passagem do senador.
Segundo o levantamento judicial contido no processo, o senador entrou na Argentina em companhia da mulher e das duas filhas no final da noite de terça-feira, 27 de outubro, e embarcou cerca de 40 minutos depois em uma aeronave com destino ao Equador e, em seguida, aos Estados Unidos.
Contexto e desdobramentos
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, embora exista uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibindo o senador de deixar o país e exigindo a entrega de seus passaportes. As denúncias apresentadas na Argentina foram reunidas em um único procedimento, e a Justiça do país ainda avalia se instaurará formalmente uma investigação criminal.
O episódio teve repercussão diplomática: o Itamaraty convocou representante argentino após a viagem do senador aos Estados Unidos, em um gesto de protesto pela saída do território brasileiro diante da ordem judicial.
Caso a Argentina decida abrir investigação formal, as etapas seguintes poderão incluir solicitações de cooperação judicial internacional e eventual compartilhamento de provas com autoridades brasileiras.
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