Governo mantém postura pragmática e evita reação imediata à saída de Flávio Bolsonaro
Planalto vê constrangimento da oposição, atribui apoio à saída do senador a auxiliares estrangeiros e aguarda resultado das eleições nos EUA para recalibrar posição
Por Redação Os Três Poderes ·

O governo federal decidiu manter postura discreta diante da viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, ocorrida após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo avaliação do Planalto, não há, por enquanto, elementos formais que fundamentem uma resposta diplomática ou política imediata.
Estratégia do governo
Integrantes do governo informaram que a orientação interna é evitar dar "palco" ao caso e não alimentar a controvérsia. A avaliação é de que a saída do senador causa mais constrangimento à oposição do que ao Executivo, em razão do reconhecimento da eleição por parte da maioria dos partidos e de organismos nacionais e internacionais.
O Planalto também acompanha relatos de que a viagem de Flávio teria contado com auxílio de integrantes dos governos do presidente dos Estados Unidos e do presidente da Argentina. No entanto, segundo a mesma avaliação oficial, ainda não há provas formais que justifiquem uma retaliação ou uma medida diplomática imediata.
Calendário internacional e impacto nas relações
Autoridades federais decidiram esperar o desfecho das eleições legislativas norte-americanas, previstas para a semana seguinte, antes de calibrar a postura externa. No governo, a expectativa é que o resultado do pleito nos EUA possa alterar a correlação de forças em Washington e, consequentemente, a margem de manobra para eventual posicionamento brasileiro.
O Itamaraty já sinalizou que uma resposta, se houver, tende a passar por canais diplomáticos. Entre as medidas possíveis estão convocações do encarregado de negócios e cobranças formais por explicações, disseram fontes do ministério. O chanceler viajou para participar de reunião de ministros do G20, o que pode permitir contatos e questionamentos informais sobre o episódio.
Consequências políticas internas
No âmbito doméstico, aliados de Lula consideram que o senador perdeu capital político ao deixar o país na sequência da derrota eleitoral. O PL e outros partidos que o apoiaram reconheceram a vitória do presidente reeleito, e há avaliação de que o episódio reduz a capacidade de negociação de Flávio junto a capitais estrangeiras.
Além disso, autoridades lembram que havia determinações judiciais pendentes sobre o senador: o ministro do Supremo Tribunal Federal havia determinado a entrega dos passaportes no âmbito de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, e a Polícia Federal cancelou os documentos após a não devolução. Não há mandado de prisão contra o parlamentar, conforme informações oficiais.
As declarações do senador em Miami
Após desembarcar nos Estados Unidos com a família, o senador publicou carta em que não reconhece o resultado da eleição presidencial e se autoatribui liderança política do país. O teor do documento foi registrado em publicações internacionais.
"verdadeiro presidente eleito do Brasil"
"líder do Brasil"
Fontes do governo afirmaram que algumas das expressões usadas pelo senador foram alteradas depois de interlocuções com autoridades americanas.
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