Governo contabiliza 10 mortes por violência política após 2º turno
Ministério da Justiça lista 45 ocorrências desde a véspera da votação e aciona PF, PGR e corregedorias para acompanhar apurações
Por Redação Os Três Poderes ·

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou nesta quarta-feira 28 que, entre sábado 24 e quarta-feira 28, foram registradas 45 ocorrências de violência política, com dez mortes, durante e após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Conforme o MJSP, o período somou 47 vítimas, com pico de notificações no domingo 25 e na segunda-feira 26, em meio às comemorações pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Entre os mortos, há três indígenas. Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram a maior parte dos registros no levantamento inicial, que ainda pode ser atualizado.
Medidas anunciadas
O governo comunicou que a Polícia Federal atuará no acompanhamento dos casos e que haverá coordenação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os Ministérios Públicos estaduais. O Ministério da Justiça também pediu às corregedorias das polícias dos estados e do Distrito Federal que enviem informações para apurar eventual participação de agentes públicos nos episódios.
Nos casos em que houver suspeita de envolvimento de integrantes das forças de segurança em mortes, a pasta acompanhará as apurações criminais e administrativas, cabendo às corregedorias relatar as providências tomadas pelas corporações.
Competência das investigações
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, os registros abrangem diferentes tipificações penais, e a definição de quem conduzirá a investigação depende da natureza de cada fato.
"Alguns deles são crimes eleitorais cometidos no dia das eleições ou no período que as antecedeu. Outros envolvem violência política de gênero, que é de competência federal", disse Ademar Borges.
Nos casos de violência política de gênero mencionados pelo secretário, a investigação ficará a cargo da Polícia Federal, com participação do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.
Integração dos registros
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, afirmou que uma das prioridades será unificar os dados produzidos pelas diferentes instituições, para que a divisão de atribuições entre esferas estadual e federal não dificulte a identificação e a responsabilização dos autores.
"Há um esforço para consolidar todos os registros de violência com natureza política no contexto das instituições. A cartografia institucional brasileira é complexa", declarou Chico Lucas.
O que vale para o RN
O modelo apresentado pelo MJSP prevê cooperação entre PF, Ministério Público e corregedorias das polícias em todos os estados. Assim, eventuais ocorrências no Rio Grande do Norte poderão ser incorporadas ao levantamento federal na medida em que as apurações locais forem concluídas.
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