Governo analisa agrément a Daniel Perez e defende isonomia no visto
Tema pode voltar a andar após o 2º turno; Itamaraty definirá o tipo de visto a ser concedido
Por Redação Os Três Poderes ·
O governo federal analisa conceder o agrément a Daniel Perez, indicado por Donald Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Não há data definida; segundo avaliação do Palácio do Planalto, o tema pode voltar a andar após o 2º turno, encerrado em 25 de outubro de 2026.
Na avaliação interna, se o nome for aprovado, Perez virá ao país para entregar as cartas credenciais ao presidente. A expectativa no governo é de que não haja obstáculo.
O que é o agrément e os próximos passos
O agrément é a anuência formal do país anfitrião ao nome de um embaixador; sem essa aceitação, o diplomata não pode assumir o posto. Com o aval, o indicado solicita visto e, ao chegar, apresenta as credenciais ao chefe de Estado.
Indicação e trâmite nos EUA
Perez, ex-presidente da Câmara da Flórida e filiado ao Partido Republicano, foi indicado em 1º de junho, antes do pedido de agrément ao Brasil — movimento que contraria a praxe diplomática. O Senado americano aprovou o nome em 7 de agosto.
Viotti e a regra de reciprocidade
O ponto sensível é a situação de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington. Em 4 de agosto, os Estados Unidos restringiram o visto da diplomata para uma única entrada; caso deixe o país, ela precisará de novo visto para retornar. Segundo o governo dos EUA, o restabelecimento do visto depende do aval brasileiro ao indicado americano.
No entendimento do governo brasileiro, o futuro embaixador americano não deve receber tratamento consular mais favorável do que o aplicado à embaixadora em Washington. Quem define o tipo de visto a ser concedido é o Itamaraty, que ainda não detalhou como procederá.
Contexto da política externa
O governo nega que a concessão do agrément esteja condicionada à normalização do visto de Viotti e afirma que vem aplicando a reciprocidade estrita nas relações com outros países. A regra também orienta a política de vistos: a gestão anterior isentou cidadãos dos EUA sem contrapartida, e a atual gestão revogou a isenção.
Segundo avaliação do governo, a relação com os Estados Unidos é o maior desafio da política externa no 4º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, com intenção de retomar negociações comerciais, incluindo tarifas.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Brasil Chefe interino da ANA defende blindar agências de barganhas políticas
Leonardo Góes propõe rever critérios de nomeação e priorizar perfis técnicos após as eleições; sabatinas perdem peso quando acordos já estão fechados
Brasil Janones defende união internacional da esquerda contra a extrema-direita
Deputado escreveu no X que articulação global poderia “varrer a extrema-direita” e afirmou que não haveria hegemonia da esquerda
A vida após o divórcio
Eu não conheço ninguém que tenha se divorciado sem passar por um período difícil, marcado pelo luto pelo fim da união. Quando há filhos, soma-se a esse processo
