Gastos de campanhas com a Meta chegam a R$ 288,7 milhões em 2026
Valor parcial declarado ao TSE já é mais que o dobro de 2022; impulsionamento ganha peso nos orçamentos
Por Redação Os Três Poderes ·

Até agora, as prestações de contas das eleições de 2026 indicam pelo menos R$ 288,7 milhões desembolsados diretamente para a Meta, de acordo com os dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo DivulgaCand. O levantamento é preliminar: quem disputou apenas o 1º turno tem prazo até 3 de novembro para a entrega final, enquanto os concorrentes do 2º turno devem concluir o envio até 14 de novembro.
Evolução dos gastos
O valor parcial de 2026 é o mais alto da série e já supera em mais do que o dobro o total informado em 2022 (R$ 129 milhões). Em 2018, o montante declarado foi de R$ 22,7 milhões. A fatia da Meta no conjunto das despesas eleitorais avançou de 0,7% em 2018 para 6% em 2026, passando por 1% em 2020, 1,9% em 2022 e 3% em 2024.
O impulsionamento de conteúdo — a compra de alcance para publicações — ganhou relevância nos orçamentos: saiu de 2,5% do total gasto em 2018 para 8,9% nos números parciais de 2026. Pela legislação eleitoral, apenas candidatos, partidos e coligações podem contratar esse tipo de serviço; é vedado pagar influenciadores para promover candidaturas, e manifestações espontâneas de apoio não podem ser impulsionadas ou gerar monetização.
Partidos e candidatos que mais gastaram
Nos registros de 2026, o PL aparece com R$ 63,7 milhões em pagamentos diretos à empresa, seguido por PT (R$ 37,9 milhões), PSD (R$ 30,3 milhões) e União Brasil (R$ 23,3 milhões).
Entre as candidaturas, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência no 2º turno, declarou R$ 7,45 milhões em gastos diretos com a Meta; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou R$ 2,59 milhões. Também aumentou o número de candidaturas com desembolsos acima de R$ 1 milhão: nenhuma em 2018, quatro em 2022 e 24 em 2026, somando R$ 41 milhões.
Regras e metodologia
Os valores listados abrangem serviços das plataformas, como verificação de contas, anúncios e impulsionamento. Para apuração, foram considerados pagamentos cujo fornecedor direto é o CNPJ 13.347.016/0001-17 (Facebook Serviços Online do Brasil Ltda.). Os montantes estão expressos em reais correntes de cada eleição, sem atualização inflacionária.
O total identificado funciona como um piso: não entram despesas de diretórios partidários, anúncios custeados por apoiadores nem valores pagos por intermédio de agências de conteúdo ou publicidade, casos em que o gasto aparece no CNPJ desses terceiros.
Medidas do TSE no 2º turno
Nesta segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, fixou prazo de 24 horas para que a Meta comprove ter atendido a determinação que impôs medidas voltadas a assegurar isonomia na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o 2º turno. Conforme o tribunal, tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) recorreram à Justiça Eleitoral alegando prejuízos na entrega de publicações.
Na mesma data, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Pablo Marçal não voltem a publicar conteúdos já vedados pelo TSE, sob pena de multa de R$ 50 mil por cada nova postagem. Ele também ordenou que a Meta e o X interrompam o impulsionamento pago de conteúdos das contas dos dois até o término do 2º turno.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Leia também
Brasil Ato pró-reeleição de Lula protesta em frente à sede da Meta em SP
Manifestantes se reuniram nesta segunda (19) na avenida Faria Lima, em São Paulo, e direcionaram críticas à empresa
Brasil MP Eleitoral pede ao TSE ampla divulgação de mudanças em locais de voto
Pedido cita mais de 400 locais alterados e 130 mil eleitores em 22 estados
Brasil TRE-SP muda dois locais de votação no 2º turno em São Paulo
Alterações por danos de chuva e vento atingem 7.916 eleitores na capital e em Presidente Prudente