Fiesp reage à PEC aprovada no Senado que põe fim à escala 6×1
Entidade vê risco de mais informalidade e alta de custos; texto reduz jornada para 40h semanais e prevê dois dias de descanso
Redação Os Três Poderes, com informações de Poder360

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira (14) a aprovação, em dois turnos, da PEC 221/2019 no Senado, que extingue a escala de trabalho 6×1. As votações no plenário registraram 75 votos favoráveis e 1 contrário em cada turno.
O que muda no texto
- Jornada máxima de 40 horas semanais, com teto de 8 horas diárias (o limite atual de 44 horas é reduzido);
- Dois dias de descanso remunerado por semana, com um preferencialmente aos domingos;
- Sem redução salarial, com manutenção dos pisos salariais;
- Transição em duas etapas: 42 horas semanais 60 dias após a publicação da emenda e 40 horas após 14 meses;
- Negociação coletiva pode definir compensações de horário e regimes específicos de descanso, respeitados os limites do texto;
- Lei complementar poderá criar medidas transitórias para micro e pequenas empresas, condicionadas à manutenção do emprego.
O que diz a Fiesp
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a mudança pode ampliar a informalidade no mercado de trabalho e elevar custos dos empregadores, com reflexos no orçamento das famílias, como em taxas de condomínio. Ele também criticou a inclusão da regra diretamente na Constituição e afirmou que o tema deveria ter sido debatido com mais profundidade e fora do calendário eleitoral, mencionando o risco de se tornar uma “PEC ‘Boca de Urna’”.
Skaf declarou ainda que eventuais impactos precisam ser medidos em setores essenciais como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química.
Acordos coletivos e setores contínuos
Para atividades que funcionam de forma ininterrupta, o texto permite que a distribuição das horas e dos períodos de descanso seja definida por acordos ou convenções coletivas. Os dois dias de repouso semanal poderão ser calculados pela média do mês-calendário, com ao menos uma folga em cada semana e respeito à média mensal.
Cláusulas de acordos e convenções que prevejam jornadas acima de 40 horas semanais ou apenas um dia de descanso perdem a validade automaticamente 60 dias após a publicação da emenda.
O que pode significar para o RN
Setores citados pela Fiesp, como saúde, educação, transporte e supermercados, têm presença relevante no Rio Grande do Norte. As mudanças na jornada e nas escalas tendem a exigir ajustes de empresas e sindicatos no estado, a partir das negociações coletivas previstas no texto.
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