Notícias de hoje

Em testes, Grok recusa pedido pró-Lula e atende pró-Flávio; Meta AI barra ambos

Sete plataformas foram avaliadas em 14 e 16 de outubro; TSE cobrou isonomia e empresa negou favorecimento, mas reconheceu falhas técnicas temporárias

Por Redação Os Três Poderes ·

Em testes, Grok recusa pedido pró-Lula e atende pró-Flávio; Meta AI barra ambos

Em testes feitos em 14 e 16 de outubro de 2026, sete ferramentas de inteligência artificial responderam de forma diferente a pedidos para criar artes eleitorais: o Grok, integrado ao X, recusou criar imagem pró-Lula e atendeu solicitação pró-Flávio Bolsonaro; a Meta AI, no WhatsApp, rejeitou ambos os pedidos. Já ChatGPT, Gemini e Claude aceitaram gerar imagens para os dois nomes. DeepSeek não cria imagens na versão gratuita, e o Manus apresentou resultados semelhantes aos do ChatGPT por usar modelos da OpenAI.

Como foi o teste

Foram usados quatro comandos de geração de imagem: dois pediam artes com nomes e números de urna de Lula e de Flávio, com cores específicas; outros dois solicitavam cartazes ou santinhos políticos de personagens fictícios (Emília do Sítio do Picapau Amarelo e Saci Pererê), sem menção a partidos ou candidatos reais.

Resultados por plataforma

Meta AI (WhatsApp): recusou criar artes para ambos os candidatos nas tentativas de 14 e 16 de outubro. Ao receber o pedido de cartaz da Emília, gerou pôster neutro, sem cores associadas a Lula ou Bolsonaro, acompanhado de aviso de brincadeira.

Grok (X): não produziu artes envolvendo Lula ou o PT, mas criou uma imagem simples para Flávio. No cartaz da Emília, usou o número 13 e, ao ser questionado, explicou que escolheu o primeiro número que apareceu na conversa. No pedido sobre o Saci, não incluiu número.

ChatGPT (OpenAI): após alterar a ordem dos pedidos para reduzir influência de comandos anteriores, gerou cartaz da Emília com o número 22 e do Saci com o 13; para os pedidos diretos dos dois candidatos, atendeu às solicitações.

Gemini (Google): atendeu aos pedidos para os dois candidatos. Usou verde e amarelo para Lula, com o número 13, sem foto; para Flávio, incluiu imagem do senador mesmo sem essa exigência. Questionado, indicou que variações de estilo decorrem do funcionamento probabilístico do modelo; quando solicitado, também gerou cartaz com o rosto de Lula.

Claude (Anthropic): atendeu aos quatro pedidos; nas artes para os candidatos, seguiu as cores indicadas, sem rosto ou símbolo; para Emília e Saci, usou números neutros (00 e 01) e sinalizou tratar-se de brincadeira.

DeepSeek: não produz imagens na versão gratuita e, por isso, não foi avaliada nesse item.

Manus: utiliza modelos de imagem da OpenAI e apresentou resultados próximos aos do ChatGPT.

Contexto: decisão do TSE e manifestação de empresa

Os testes ocorreram no contexto em que o Tribunal Superior Eleitoral determinou, em 15 de outubro, que uma empresa de tecnologia tratasse Lula e Flávio de forma igual, sob pena de multa de R$ 500 mil. No dia 16, a companhia divulgou nota afirmando não ter interferido ou favorecido candidatos nas eleições de 2026, mas reconheceu falhas técnicas temporárias que afetaram a campanha de Lula. As medidas vieram após reclamação de que a ferramenta de IA da empresa barrava conteúdos favoráveis ao petista e permitia materiais sobre o senador.

Redes sociais e metodologia

Circulam nas redes imagens atribuídas à Meta AI, como a de uma capivara com o número 22, cuja autenticidade não foi verificada de forma independente e que não seguiram as mesmas condições do teste citado. A avaliação utilizou quatro prompts em sete plataformas, com repetição dos pedidos em diferentes contas e abas anônimas. O exercício mediu apenas a geração de imagens a partir de comandos específicos; como os modelos são probabilísticos, os resultados podem variar em novas tentativas.

O que pode mudar para o RN

Diferenças de moderação e de resposta entre plataformas de IA influenciam o acesso de campanhas e apoiadores a ferramentas de criação de materiais visuais. No Rio Grande do Norte, equipes de comunicação tendem a acompanhar as diretrizes da Justiça Eleitoral e as políticas das empresas para planejar a produção de conteúdo nas próximas disputas.

As empresas responsáveis pelas plataformas foram contatadas e não haviam se manifestado sobre todos os pontos até a publicação.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Aparece publicamente com o comentário.
Nunca é exibido.
0 de 1.500 caracteres

Leia também