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Assembleia Geral da ONU aprova resolução contra bloqueio dos EUA a Cuba com apoio do Brasil

Votação teve 130 favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções; embaixador cubano celebrou resultado apesar do menor placar em 30 anos

Por Redação Os Três Poderes ·

Assembleia Geral da ONU aprova resolução contra bloqueio dos EUA a Cuba com apoio do Brasil

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta terça-feira uma resolução que condena o bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba, com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. O Brasil integrou o grupo de países que apoiou a proposta.

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, recebeu jornalistas em Brasília e considerou a aprovação uma vitória para o povo cubano, mesmo com o menor número de votos favoráveis registrado em três décadas. Em declarações à imprensa, ele criticou a atuação dos Estados Unidos na política internacional e afirmou que a campanha de pressão de Washington contribuiu para o resultado mais estreito.

Placar e mudanças no mapa das votações

Segundo os dados da votação, 17 países optaram por votar contra a resolução neste ano, entre eles Estados Unidos e Israel. Também foram registradas 25 abstenções, um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando houve apenas uma abstenção. Entre os países latino-americanos que se abstiveram estão Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru.

Repercussões e argumentos de Cuba

O embaixador Palomo afirmou que o bloqueio é ilegal segundo o direito internacional e destacou o impacto humanitário das medidas adotadas por Washington. Ele mencionou aumento da mortalidade infantil em Cuba no período recente e disse que as sanções secundárias, que penalizam empresas estrangeiras que negociam com a ilha, têm provocado retenção de cargas em portos e elevação dos custos de importação.

Palomo também relacionou o endurecimento das sanções ao retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos e apontou como consequência restrições no fornecimento de combustível à ilha, que teriam causado apagões e dificuldades para a produção e conservação de alimentos e para serviços públicos.

Ações dos EUA e respostas cubanas

De acordo com o relato do embaixador, as medidas americanas incluíram sanções contra setores energéticos e a adoção de sanções contra empresas ligadas a tecnologias sensíveis. Ele citou ainda decisões judiciais recentes nos Estados Unidos, como a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro, como parte do cenário de pressão.

Em reação ao bloqueio, Cuba vem promovendo reformas econômicas e mudanças na matriz energética — com ênfase em projetos solares e cooperação com a China — além de ações para aumentar a produção de alimentos. O embaixador disse ser cedo para avaliar os efeitos das reformas, mas afirmou que estudos internos apontam condições mais favoráveis para elevar a produção.

Especialistas em política externa observam que resoluções da Assembleia Geral não têm força vinculante, mas servem como termômetro da opinião internacional e criam pressão diplomática sobre medidas unilaterais. Para países dos quais dependa comércio ou investimentos, as sanções secundárias citadas pelo embaixador podem influenciar decisões de empresas e transportadoras.

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